A tradução portuguesa será assegurada por Miguel Serras Pereira e o livro será publicado "no final deste mês de junho", adianta a Relógio d'Água.

"At Night All Blood is Black" ("À Noite o Sangue É Sempre Negro", em tradução livre) é o segundo romance de Diop, e narra a experiência de um soldado senegalês, nas trincheiras francesas durante a Grande Guerra de 1914-1918, "uma trama marcada pela violência e a nostalgia que se precipita na loucura". A obra, de acordo com o autor, foi inspirada no história de seu avô.

O capitão Armand dirige um ataque contra o inimigo alemão. Entre os soldados que avançam, estão dois atiradores senegaleses, Alfa Ndiaye e Mademba Diop, mas mal sai da trincheira, Mademba é mortalmente atingido diante de Alfa, seu amigo de infância e mais do que irmão, segundo a sinopse.

Alfa fica sozinho no caos de um grande massacre e a sua razão perturba-se: Ele, até há pouco um camponês africano, vai espalhar a morte nesta terra para ele desconhecida. Desligado de tudo, e até de si próprio, espalha violência e semeia o medo, a tal ponto que amedronta os próprios camaradas. A sua evacuação para a retaguarda é o começo da recordação do seu passado africano, que se transforma numa resistência à primeira grande carnificina da época moderna, acrescenta a editora.

Esta obra já tinha vencido o Prix Goncourt des Lycéens, assim como o Prix Ahmadou Korouma na Suíça e o Premio Strega Europeo em Itália antes de ganhar o Booker Internacional, o que fez de Diop, nascido em Paris em 1966, o primeiro autor francês distinguido com este prémio.

Professor de Literatura na Universidade de Pau, no sudoeste de França, Diop impôs-se a outros cinco finalistas: “The Dangers of Smoking in Bed”, da argentina Mariana Enríquez (traduzido por Megan McDowell), “When We Cease to Understand the World”, do chileno Benjamín Labatut (Adrian Nathan West), “The Employees”, da dinamarquesa Olga Ravn (Martin Aitken), “In Memory of Memory”, da russa Maria Stepanova (Sasha Dugdale), e “The War of the Poor”, do francês Éric Vuillard (Mark Polizzotti).

O prémio Booker Internacional reconhece, todos os anos, uma obra de ficção traduzida para inglês a partir de outra língua. Com uma dotação de 50 mil libras (cerca de 58 mil euros), é repartido equitativamente entre o autor da obra escolhida e o tradutor para inglês.

Reagindo à atribuição do prémio, o escritor garantiu estar a viver "um sonho feito realidade", alegria que partilhou com a tradutora Anna Moschovakis.

O júri desta edição do prémio foi composto pela historiadora Lucy Hughes-Hallett, que presidiu, pela jornalista Aida Edemariam, pelo escritor Neel Mukherjee, pela professora de História da Escravatura Olivette Otele e pelo poeta e tradutor George Szirtes.

Duas das obras finalistas estão publicadas em Portugal: “Um Terrível Verdor”, de Benjamín Labatut (lançado pela Elsinore, em janeiro do ano passado), e “A Guerra dos Pobres”, de Éric Vuillard (editado pela Dom Quixote, em março de 2020).

No ano passado, o livro vencedor foi “O Desassossego da Noite”, de Marieke Lucas Rijneveld, dos Países Baixos, editado em Portugal em maio deste ano pela Dom Quixote.

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