“Talvez te escreva”, apresentada hoje à tarde na Estufa Fria, é a segunda coleção da Béhen, de Joana Duarte, de 25 anos, e surge “no seguimento da coleção anterior, que tem que ver com o conceito de casamento nas diferentes culturas”, explicou a ‘designer’ de moda à Lusa.

Para criar as peças hoje apresentadas, Joana Duarte usou “vestidos de noiva dos anos 1980, em parceria com a Humana, que encontrou estes tesouros que estavam escondidos”, e foram ‘grafitados’ pelo ‘street artist’ Raf, bem como colchas, material que já costuma trabalhar.

O conceito para a coleção “Talvez te escreva” começou a nascer na Índia, onde em viagem aprendeu que “os saris são passados de geração em geração”. “Depois em Portugal, em conversas com a minha avó percebi que isso também é importante na minha família e decidi que ia juntar as duas culturas e a tradição de passar de geração em geração”, contou.

Joana Duarte salienta a importância de “hoje em dia se aprender a respeitar os tecidos e criar-se essa ligação e esse hábito de passar as coisas com mais tempo, com calma, que fiquem para sempre”.

As peças da Béhen são criadas em parceria com a Fundação Aga Khan, “além de portuguesas, estão mulheres do mundo inteiro, a viver em Portugal, envolvidas na produção”.

E como para Joana Duarte “não faz sentido criar uma coleção que não tenha de alguma forma algum impacto nas comunidades que estão envolvidas”, uma percentagem das vendas da coleção “reverte a favor de uma organização que luta contra o casamento infantil”.

“O conceito [da coleção] é o casamento e há sempre esta necessidade de tudo o que faço, de certa forma, contribuir também para outros projetos e outras causas, porque para mim a Moda tem de contribuir para estas coisas. Para mim a Moda é Política”, afirmou.

A Béhen, criada por Joana Duarte há cerca de um ano, “começou com o uso das colchas e dos ‘napperons’ do enxoval” da avó da ‘designer’, bem como das tias-avós com quem fala “pelo país inteiro”.

Na altura em que criou este projeto, Joana Duarte estava ainda a frequentar um mestrado, o que a levou a questionar-se como, “enquanto estudante, conseguiria criar um projeto com uma pegada ecológica que fosse inferior a utilizar tecidos novos”.

“Não sentia ligação a ir comprar tecidos a uma fábrica. Não sentia ligação com esses materiais”, partilhou.

Para criar uma coleção, em vez de fazer encomendas de tecidos em fábricas, Joana Duarte tem que “correr o país inteiro”.

“Tenho já uma rede de mulheres que me sugerem coisas, mandam fotografias, pedem-me para ir ver e contam-me as histórias também, porque não é só o tecido em si, muitas vezes também conheço a história que está por trás de cada toalha de mesa, toalha de chá ou napperon que foi a avó a bordar. Há essa parte toda da ligação emocional aos próprios materiais”, contou.

Antes da coleção da Béhen, hoje na ModaLisboa tinha sido apresentada a coleção da Awaytomars. Depois, desfilam na Estufa Fria as propostas de Duarte, Constança Entrudo e Luís Carvalho.

A 55.ª edição da ModaLisboa, que decorre até domingo em vários jardins do Parque Eduardo VII, pode ser acompanhada ‘online’, através de uma app para telemóveis e ‘tablets’, de uma 'app' TV da Meo e de um 'microssite'.

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