A mostra, com entrada gratuita, é promovida pela Fundação Eugénio de Almeida (FEA) e vai estar patente ao público no Centro de Arte e Cultura (CAC) desta instituição, em plena acrópole da cidade alentejana, a partir das 10:00 de dia 19, e até final do primeiro trimestre do próximo ano.

A iniciativa reúne “um total de 44″ retratos fotográficos da autoria de Moira Forjaz, dos quais “quatro são de grande formato e os restantes são de tamanho médio”, explicou hoje à agência Lusa o diretor do CAC, José Alberto Ferreira.

Os “grandes protagonistas” desta série de retratos que dá corpo a “Ilhéus” são “habitantes da Ilha de Moçambique”, na província de Nampula, em Moçambique, segundo a FEA.

“São ilhéus idosos que deixaram entrar a fotógrafa na sua intimidade, contando as suas vidas na primeira pessoa”, indicou a organização, realçando que os 44 retratos “devolvem” ao público “um olhar sobre a Ilha de Moçambique, cidade geminada com Évora, e traçam um caminho de luz e cor aproximando os lugares”.

Os trabalhos presentes na mostra, com curadoria de Paola Rolletta e patente na Sala Rostrum, no piso 0 do CAC, celebram a vida e comunidade da Ilha de Moçambique e “a sua proximidade histórica e cultural com Évora”.

“Esta viagem à Ilha de Moçambique é também uma forma de promover a proximidade de dois territórios com História e Património comuns, o que é particularmente relevante no atual contexto pandémico” da covid-19, “em que se alargaram distâncias e tornou-se longínquo o que já era longe”, vincou a FEA.

Numa exposição que pretende “abordar o facto de estar tudo dentro de um único grande céu”, e de “todos terem direito a um nome”, Moira Forjaz “exprime o seu interesse em capturar a essência e a vida do sujeito retratado, os seus sonhos, frustrações, deceções e satisfações”, assinalou.

“Ilhéus” presta, assim, “homenagem às pessoas especiais, vibrantes, interessantes e doces da Ilha de Moçambique, convidando os eborenses a estabelecer um diálogo com estas, mediado pela cor, pela luz e pela sombra que dominam os retratos”.

A artista “não está à procura de uma bela fotografia, não está presa à construção mental que induz observar o sujeito de um ponto de vista principalmente estético”, disse Paola Rolletta.

Ao invés disso, a intenção da autora é “capturar o espírito do sujeito. E o espírito é a própria vida e a sua dignidade”, explicou, destacando que “o percurso fotográfico de Moira é uma caminhada constante para encontrar o significado mais recôndito da existência humana”.

“Testemunho da aventura portuguesa de outros tempos”, o local retratado em “Ilhéus” é “o grande amor” da artista, que o conheceu em 1976 e onde vive atualmente.

Cidade geminada com Évora, desde 1997, a Ilha de Moçambique é igualmente Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em reconhecimento da “singularidade da sua paisagem arquitetónica, realçada pelos sinais da expressiva presença dos portugueses, que ali chegaram no século XVI”, disse a FEA.

“Fortalezas, torres e igrejas testemunham a sua importância estratégica como escala de navegação da Carreira da Índia entre Lisboa e Goa, aberta por Vasco da Gama”, e, a juntar a isso, “serviu de morada ao poeta Luís de Camões e de inspiração para a mítica ‘Ilha dos Amores’ cantada n’Os Lusíadas”, frisou.

Devido à pandemia de covid-19, estão em vigor no CAC as medidas de prevenção epidemiológica recomendadas pela Direção-Geral da Saúde, sendo obrigatório o uso de máscara de proteção.

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