O filme oferece uma redescoberta da estrela da série “I Love Lucy”, que liderou audiências nos anos cinquenta, e do seu casamento com o emigrante cubano Desi Arnaz, de quem acabaria por se divorciar em 1960.

“Foi fascinante trabalhar com Aaron [Sorkin]”, disse Nicole Kidman, numa sessão de perguntas e respostas que se seguiu a uma exibição privada do filme em Los Angeles. “Ele não estava mesmo nada interessado numa cópia, na personificação. Foi incrivelmente audacioso e corajoso”.

Kidman frisou que a pergunta a que quiseram responder foi: Quem é a mulher que criou Lucy? “Aaron estava interessado na mulher que criou a personagem, na relação deles”, disse Kidman. “É muito interessante”.

Lucille Ball tinha 40 anos quando a série começou a ser transmitida, o que foi arrojado e inovador naquela altura. “I Love Lucy” também introduziu temas que eram considerados tabu em televisão, como o casamento interracial e a gravidez, apesar de ser uma série apolítica.

Segundo explicou Sorkin, a sua intenção era dar vida própria a estas personagens, apesar de o filme se basear em factos verídicos e haver registos substanciais das suas dinâmicas, começando pelos episódios da série original.

“O que enfatizei para todos os atores quando iniciámos isto é que não queria uma personificação destas pessoas, queria que representassem as personagens no argumento”, disse Sorkin, no mesmo evento.

A sua exploração foi sobretudo focada no lado mais desconhecido de Lucille Ball e da sua história de amor com Arnaz, que muitos norte-americanos acreditavam conhecer pelo retrato fornecido em “I Love Lucy”.

“Há qualquer coisa nesta história de amor. Sentimos, em todo o filme, que isto vai ser doloroso no final”, avisou Sorkin.

Para o ator espanhol Javier Bardem, que interpreta Arnaz, a preparação foi intensa, dado tratar-se de um artista multifacetado.

“Conhecia um pouco da história e quando comecei a ver os episódios fiquei obcecado com ele”, admitiu Bardem. “Com as suas capacidades, como criativo, como pessoa, como produtor, como músico… ‘Uau’! Naquele tempo… Um imigrante neste país…”, sublinhou.

Bardem considerou que interpretar Arnaz “foi divertido” e permitiu-lhe encarnar uma energia e sensualidade que o ator espanhol disse não ter.

Antes de filmar “Being the Ricardos”, Nicole Kidman e Javier Bardem não se conheciam propriamente, e a atriz gracejou que continuam a não se conhecer.

“De uma forma muito estranha, conhecemo-nos, mas não nos conhecemos bem”, afirmou. “É fantástico, porque a forma como nos juntámos foi através destes personagens”.

O filme foi preparado e filmado durante a pandemia de covid-19, o que trouxe muitos desafios, contou a atriz.

“Estávamos a fazer leituras de cenas em terraços. Foi muito duro e intenso”, descreveu.

“Preparei-me vendo a série e sequências que o Aaron tinha escolhido. Estudei-as a fundo. Trabalhei muito”, sublinhou.

“Being the Ricardos” conta ainda com Nina Arianda, J.K. Simmons e Tony Hale, nos papéis principais.

É um filme Amazon Studios e estreia-se na plataforma de ‘streaming’ Prime, a 21 de dezembro, depois de uma passagem limitada por salas de cinema em Los Angeles.

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