A nova casa do surrealismo em Portugal representa o "culminar de um longo caminho de mais de 20 anos" percorrido pela Fundação Cupertino de Miranda (FCM), que alberga aquela nova valência cultural, inaugurada com a exposição "O Surrealismo na Coleção Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian", uma mostra da herança surrealista portuguesa, que reúne 25 autores e 59 obras.

Pela nova sala, 400 metros quadrados resultantes do "diálogo" entre o arquiteto do edifício original da FCM, João Castelo Branco, e o arquiteto João Mendes, vão estar acessíveis trabalhos de nomes como Mário Cesariny, João Moniz Pereira, Jorge Vieira ou José Francisco, pertencentes à coleção da Gulbenkian, mas também a visão do surrealismo de 23 autores, como António Dacosta, António Paulo Tomaz e Artur do Cruzeiro Seixas, com obras integradas na colação da própria FCM.

"São os principais nomes que fizeram parte do momento [surrealista em Portugal], é vasto, é sem dúvida um momento muito especial", explicou à Lusa o diretor artístico da FCM, António Gonçalves.

Segundo o responsável, as obras em exposição "são conhecidas, existem", mas o novo centro dá a possibilidade de as "reunir, catalogar e editar", e ainda a "possibilidade de rever alguns autores e obras".

António Gonçalves, salientando "não ser fácil" definir o Surrealismo, explicou que se trata de um "movimento que teve o seu início no plano internacional, em Paris, com André Breton à cabeça, nos anos [19]20".

"Em Portugal não tem início nesse período, as primeiras exposições acontecem nos anos 40, em 49. Mas isto não quer dizer que não estivessem já nos anos 30 alguns autores a avançar com o surrealismo português, era já uma prática", apontou.

Explicada a contextualização temporal, afinal em que se define o Surrealismo, questiona-se: "O surrealismo, propriamente, eu diria que é uma atitude de poesia, de amor e de liberdade que muitos deles [os autores] anunciaram, desde liberdade de expressão, humana e de criação, para se poder fazer uma diferença em relação a muita da violência que se estava assistir naquilo que foi uma primeira e uma segunda guerra", respondeu André Gonçalves.

A abertura do Centro Português de Surrealismo é um marco na história da FCM: "É o culminar de um longo caminho de mais de 20 anos que se iniciou com a doação da coleção de João Meireles e de Cruzeiro Seixas, momento a partir do qual o surrealismo passou a ser uma prioridade essencial na programação da fundação, na investigação e na própria edição", explicou o presidente da instituição, Pedro Álvares Ribeiro.

A FCM, "nos últimos, adquiriu mais de mil obras de arte", explanou. "Hoje a coleção tem mais de três mil obras de 300 artistas, e é a maior coleção surrealista em Portugal".

"Com a inauguração passamos a ter esta sala magnífica de 400 metros quadrados [que teve um custo de um milhão de euros] e a ter condições únicas para exposição da coleção", concluiu.

A nova valência cultural vai marcar a história da FCM, mas também da terra onde se instalou, com o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão a realçar que o Centro Português de Surrealismo vai permitir ao concelho "condições para ombrear com outras galerias à escala global", sendo prova de que a "marca industrial muito reconhecida" a Famalicão "não é inibidora de outra ações".

"Felizmente, esta centralidade famalicense na área da cultura permite sairmos um pouco daquele que é o hábito das grandes cidades, Porto e Lisboa, que ficam com quase tudo o que é oferta cultural neste domínio", explicou o autarca.

Paulo Cunha garantiu ainda que a autarquia irá apoiar a FCM: "Será um apoio de 300 mil euros, em quatro anos, para dar condições de tempo, para que o projeto se solidifique, para introduzir previsibilidade ao projeto", referiu.

O autarca deu ainda a entender que autarquia pretende ir mais longe na sua relação com o surrealismo.

"Não escondemos a ambição de a partir deste projeto criar um roteiro internacional do surrealismo, para que possamos ser visitados", revelou.

O Centro Português de Surrealismo é inaugurado na sexta-feira pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

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