A obra “1821. O Regresso do Rei” é apresentada pelo vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, no dia 12, às 18:00, na sala D. Luís do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

O jornalista Seixas Ferreira realça que, ao escapar das tropas napoleónicas, João VI, que assumira a regência devido aos problemas psicológicos da sua mãe, a rainha Maria I, “desempenhou um papel crucial quando a soberania do reino foi ameaçada e o país corria o risco de desaparecer”.

“Ao transferir a sede da monarquia para o hemisfério sul, o regente dava uma lição de estratégia a Bonaparte” e teve “o descaramento e a coragem para desafiar o terrível Napoleão”, contrastando com a imagem de “um príncipe medroso, como era tratado pelos jornais franceses”.

Armando Seixas Ferreira partilha da opinião do historiador Oliveira Lima que afirmou que o filho de Maria I “agiu com o único objetivo de garantir a sobrevivência do reino”, não se deixando “aprisionar mantendo viva a nação portuguesa do outro lado do Atlântico” e sublinha que “é muito mais justo considerar a trasladação da corte para o Rio de Janeiro como uma inteligente manobra política de que uma deserção cobarde”.

A corte partiu de Lisboa nos inícios de novembro de 1801, enfrentou o oceano, “debaixo de uma tempestade”, e mesmo escoltada por navios britânicos foi um risco: “Se a esquadra naufragasse, seria o fim da dinastia e, possivelmente, de Portugal, como hoje o conhecemos”.

Com a família real, além de muitos materiais, joias, ouro e até alguma maquinaria, seguiram 15.000 pessoas, que enfrentaram ventos adversos, mas chegaram “aclamados” a terras brasileiras.

Quando exilado na ilha de Santa Helena, Napoleão reconheceu que foi com o desastre na Península Ibérica “que se perdeu”, “até à capitulação [em 1815] em Waterloo”, na atual Bélgica.

Após a morte de Maria I, em março de 1816, João VI, em fevereiro de 1818, tornou-se o primeiro monarca europeu a subir ao trono no continente americano, numa “espetacular cerimónia”.

Apesar do descontentamento dos portugueses pela ausência do monarca, João VI foi “protelando” a partida do Brasil, porque “sabia que a viagem podia significar a separação dos dois Estados”, como veio a acontecer 1822, mas como dissera ao seu primogénito, primeiro imperador do Brasil e rei Pedro IV de Portugal, preferia que essa separação fosse sob a égide da Casa de Bragança e que a coroa ficasse com o seu filho “do que vê-la passar para as mãos de um aventureiro”.

A obra de Seixas Ferreira centra-se essencialmente na viagem de regresso, iniciada em abril de 1821, um rei que regressava “vitorioso mas carregado de apreensões”.

Em agosto desse ano eclodiria no Porto a revolução liberal e ao monarca ia-lhe ser imposta uma Constituição, que retirava o poder absoluto ao rei, decidindo a divisão de poderes legislativo, executivo e judicial.

Como antecipa o autor no prólogo, “além do relato da jornada”, nesta obra são “analisados os episódios mais marcantes do atribulado reinado de D. João VI [que termina com a sua morte em março de 1826], com especial destaque para a sua permanência no Brasil”.

A obra de Armando Seixas Ferreira, jornalista na RTP, contou com a consulta de fontes documentais inéditas, nomeadamente os manuscritos da nau de João VI, que transportava o monarca, e “uma bibliografia com testemunhos dos principais intervenientes”, além de uma atenta leitura dos diários de bordo, nomeadamente do brigue “Reino Unido” e da corveta “Voador”, que escoltavam a esquadra portuguesa.

“1821. O Regresso do Rei”, de Seixas Ferreira, é publicado quando passam 200 anos do regresso da corte a Portugal, e um ano antes dos 200 anos da independência do Brasil (1822), “um país que D. João VI amou de verdade”.

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