Alguns dos vestígios mais antigos encontrados são machados e outras ferramentas com mais de 10.000 anos, mas não se sabe muito mais da origem de Samora Correia (antiga Çamora Correya).

A fundação da cidade atribui-se a D. Paio Peres Correia, tendo uma estátua em sua homenagem na praça da república junto ao Palácio do Infantado e a igreja Matriz.

créditos: A minha terra - Henrique Salvador

Um dos locais mais emblemáticos da cidade, o Palácio do Infantado, foi construído utilizando uma técnica inovadora para a altura (tipo gaiola pombalina), utilizando madeira por entre a argamassa na construção das suas paredes.

O palácio foi dormitório de D.Miguel aquando da vinda a Samora nas suas caçadas, sendo estas, segundo alguns registos, muito frequentes nesta cidade. Posteriormente, serviu de sede da administração da Companhia das Lezírias (sendo da posse desta) e habitação de alguns dos quadros da empresa.

Devido a um grande incêndio, em 1975, perdeu-se boa parte do seu espólio (segundo alguns historiadores, valores irrecuperáveis) só restando as paredes.

Passados muitos anos, foi recuperado através de um acordo entre a Companhia das Lezírias e a Câmara Municipal de Benavente, de forma a ficar ao serviço da Cultura da cidade, com a criação de um museu com vários coches, três salas de exposições temporárias, um auditório e a presença da 2.° biblioteca fixa Calouste Gulbenkian e um espaço de apoio à população na utilização das novas tecnologias.

créditos: Henrique Salvador

A igreja, bem no centro da cidade, remonta ao ano de 1721, e foi construída em cima de uma antiga igreja destruída no ano de 1718. Dedicada à padroeira (Nossa Senhora de Oliveira), contém duas torres sineiras que são como duas guardiãs. A igreja tem um pormenor que é uma figueira e uma oliveira no cimo da fachada. O seu interior é de estilo barroco, revestido a azulejos do século XVIII, cheia de talha dourada e mármore rosa.

Antes de 1207 já existia o fortim de Belmonte, tendo sido muito importante para a reconquista cristã. No entanto, com o avanço territorial foi perdendo importância, encontrando-se atualmente em ruínas.

Em 1367 foi escrito o primeiro documento referente à cidade em que D.Pedro I dava privilégios à zona de charneca na qual Samora se insere.

A cidade recebeu o foral em 1527, dado por D.Manuel I, e no mesmo ano passa a concelho. Infelizmente, em 1790, depois de ter sofrido vários incêndios, deixa de o ser.

créditos: Henrique Salvador

Em 15 de maio de 1837, na cidade ocorreu a revolta de Marnotas, começando perto de Loures e terminando em Samora, e na noite desse mesmo dia, no edifício da Câmara Municipal (extinto um ano antes), proclamaram D.Miguel como rei de Portugal, escrevendo ata do acontecimento. Aquando da chegada da notícia a Lisboa foi enviado um batalhão da Marinha, tendo havido guerrilha. Os revoltosos saíram derrotados.

No dia 23 de abril de 1909 houve um terramoto que matou sete pessoas, e que só não foi mais mortal porque naquela hora grande parte da população estava no campo.

A ligação da população de Samora ao campo sempre foi muito forte, não só pela produção de produtos agrícolas, como pela criação de gado, com a existência de coudelarias e casas agrícolas que ainda hoje subsistem — como é o caso da Sociedade das Silveiras (criação do cavalo lusitano); Companhia das Lezírias (produção de vinho, arroz, azeite, gado e entre outros) e ganadarias como é o caso Oliveira Irmãos.

A minha Terra - Samora Correia
créditos: Henrique Salvador

Nesta região são vários os pratos gastronómicos que se destacam: o torricado de bacalhau, o cozido de carnes bravas e o arroz doce, estando na base do festival de gastronomia que há vários anos decorre nesta cidade em julho, atraindo inúmeros visitantes. Também em agosto, esta cidade acolhe quem a queira visitar e participar na sua festa tradicional em honra de Nª Senhora de Oliveira e Nª Senhora de Guadalupe.

Pela cidade desfilam várias amostras do trabalho no campo, fazem-se provas de perícia de campina, conduzem-se jogos de cabrestos e realiza-se o cortejo em honra de Nª Senhora de Alcamé, protectora dos campinos, que os populares acompanham trajados a rigor, conduzindo o gado (jogos de cabrestos) desde a sua ermida na lezíria até à cidade.

créditos: Henrique Salvador

Em abril e maio também esta ligação ao campo e ao gado bravo, em particular, é vivida com a feira taurina e a feira anual, com várias largadas de toiros pelas ruas e calvário (local emblemático) da cidade, vários espetáculos musicais, espaços de diálogo e análise de diversos temas, sempre ligados ao quotidiano ribatejano.

Esta é a minha cidade que eu gostaria que todos vós a viésseis visitar.


A Minha Terra é uma rubrica do SAPO24 onde os leitores são desafiados a escrever sobre o sítio onde vivem, as suas particularidades, desafios e mais-valias. Está interessado/a em participar? Envie o seu texto para 24@sapo.pt

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