Este “diálogo ‘online’ entre Portugal e Brasil”, que junta Gilberto Gil, Onésimo Teotónio Almeida, Ivan Lins, António Zambujo, Tim Bernardes, Pedro Abrunhosa, Tom Zé, Bruno Nogueira, Gregório Duvivier e Mariana Cabral (Bumba na Fofinha), é uma iniciativa da Câmara Municipal de Santarém, em parceria com a SET — Sons em Trânsito.

O navegador português, nascido em Belmonte, morreu em Santarém, em 1520, encontrando-se sepultado na Igreja de Santa Maria da Graça, monumento nacional desde 1910 e “importante exemplar” da arte gótica em Portugal, local a partir do qual serão feitas as transmissões diretas pelas redes sociais do município, a partir das 22:00, à exceção da abertura, marcada para as 21:30 de quinta-feira, disse à Lusa a vereadora com o pelouro da Cultura, Inês Barroso.

Nesse dia, depois de um jantar que juntará os chefes Rodrigo Castelo e Gonçalo, na criação de “sabores luso-brasileiros” com produtos da região, e para o qual foi convidado o embaixador do Brasil em Portugal, Ivan Lins fará um ‘showcase’ a partir da Igreja da Graça, num evento com um número reduzido de convidados, adiantou.

Seguir-se-á uma conversa com o filósofo e ensaísta Onésimo Teotónio Almeida e o músico e ex-ministro da Cultura do Brasil Gilberto Gil, com moderação do também escritor Valter Hugo Mãe.

Na sexta-feira e no sábado, serão quatro artistas a “conduzirem as conversas para os territórios da criatividade inesgotável e das colaborações cada vez mais frequentes entre músicos dos dois países”, afirma uma nota de divulgação da iniciativa.

António Zambujo e Tim Bernardes estarão à conversa na sexta-feira à noite, com moderação do jornalista João Gobern, e, no sábado, Pedro Abrunhosa e Tom Zé são os convidados do jornalista Carlos Vaz Marques.

O encerramento, no domingo, estará a cargo dos humoristas Bruno Nogueira, Mariana Cabral (Bumba na Fofinha) e Gregório Duvivier, com a jornalista e escritora Inês Fonseca Santos a moderar, “numa conversa em que se fará uma leitura do papel do humor na relação entre Brasil e Portugal”, afirma a nota.

Inês Barroso disse à Lusa que esta será a primeira edição de um evento que o município quer passar a realizar anualmente, abordando questões que vão da cultura à política e à economia.

Lembrando que a maior comunidade estrangeira residente em Portugal é a brasileira e que Santarém se encontra na rota do turismo religioso, que traz muitos turistas brasileiros a Fátima ou mesmo ao Santuário do Santíssimo Milagre, situado no centro histórico da cidade, a autarca referiu a importância de criar formas de os levar a conhecerem o local onde se encontra sepultado Pedro Álvares Cabral e que simboliza um momento marcante da história que une os dois países.

Ao lado da Igreja da Graça encontra-se a Casa do Brasil/Casa de Pedro Álvares Cabral, “solar que abrigou o primeiro europeu a conhecer o Brasil, desde o seu retorno do Oriente (1501) até à sua morte (1520)”, existindo no pequeno largo uma estátua da autoria do escultor Domingos Soares Branco.

O ciclo tem por referência as datas de 1520 e 07 de setembro de 1822, da declaração da independência do Brasil, pretendendo celebrar “dois países diferentes mas irmãos, que partilham um património ímpar, feito de língua, história, música, humor, literatura ou gastronomia”, afirma a nota.

“Numa época tão delicada como a que vivemos com a pandemia Covid-19, é imperioso centrarmo-nos na memória cultural, histórica e coletiva destes dois países irmãos. Longe de perspetivas políticas e nacionalistas, os dois países descobrem-se um ao outro ao longo da história e da cultura, seiva que alimenta a identidade e persiste em sobreviver contra todas as adversidades”, acrescenta.

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