“Thor não está por perto, Asgard está distante, os Vingadores não se veem em lado nenhum e ele perde o seu estatuto e os seus poderes”, descreveu o ator, que protagoniza a nova série do Universo Cinemático da Marvel (MCU). “Se tiramos todas estas coisas que Loki usou para se identificar ao longo dos últimos seis filmes, o que sobra dele? Quem é ele para lá dessas coisas?”

Estas são as questões que os criadores da série usaram para reimaginar Loki. “Se existe alguma coisa autêntica nele, será capaz de evoluir e mudar?”, acrescentou Hiddleston, na conferência de imprensa de apresentação da produção, realizada na segunda-feira à noite (hora europeia), em Los Angeles.

A criação de uma série em nome próprio para este personagem Marvel, que Hiddleston interpreta no cinema desde 2011, foi “uma combinação de alegria e surpresa”, já que a cena final de Loki em “Os Vingadores: Guerra do Infinito” pareceu ser conclusiva.

Mas depois, em “Endgame”, Loki pegou no Tesseract e desapareceu numa nuvem de fumo. Para onde foi, em que linha temporal e como chegou lá eram questões a que a Marvel não tinha ainda respondido. É nesse ponto que começa a ação da série.

“Uma das minhas coisas favoritas quando saiu o ‘Endgame’ é que as pessoas disseram que nos esquecemos de atar a ponta solta do Loki”, gracejou Kevin Feige, presidente da Marvel Studios. Não foi esquecimento, foi um ponto de partida para uma série ‘spin-off’.

“Sempre fomos fãs desta Autoridade da Variância Temporal que aparece na banda desenhada”, referiu Feige, explicando que o rumo da história foi em grande parte inspirado pela visão de Kate Herron, realizadora e produtora executiva da série.

Herron disse que, em termos de estilo visual, a produção foi influenciada por filmes de guerra e há referências a “Seven: Os Sete Pecados Mortais”, que os fãs vão reconhecer.

O principal argumentista, Michael Waldron (conhecido por “Rick e Morty”), acrescentou que títulos como “Zodíaco” e “O Silêncio dos Inocentes” foram inspiração para parte da estética da série.

A história foi buscar algumas personagens que existem nos livros, como a juíza Ravonna Renslayer (interpretada por Gugu Mbatha-Raw) e Mobius (interpretado por Owen Wilson), e criou outras novas, como Hunter B-15 (interpretada por Wunmi Mosaku).

“A Kate [Herron] explicou-me que isto ia ser uma história de origem da Ravonna Renslayer antes dos livros de banda desenhada”, disse Gugu Mbatha-Raw. “Foi uma oportunidade de começarmos algo fresco com a Autoridade da Variância Temporal, que ainda não foi vista pelos fãs nos ecrãs”.

Mantendo a sagacidade típica de Loki e adicionando uma química nova com Mobius, “Loki” explora facetas inéditas do Deus da Mentira. “A audiência vai divertir-se ao ver para onde a vamos levar”, prometeu Hiddleston.

O ator explicou como ajudou Owen Wilson a conhecer a mitologia da Marvel em sessões conhecidas como “Palestras Loki”, que contribuíram para criar a dinâmica entre os dois que se vê no ecrã.

“É muito entusiasmante entrar no MCU”, referiu Owen Wilson. “No princípio não entendia o porquê do secretismo, até ver o quanto a base de fãs está envolvida e apaixonada e como a Marvel se empenha em surpreendê-los”.

Para Wunmi Mosaku, que também é estreante no MCU, o facto de a sua personagem não existir nos livros de banda desenhada foi um alívio, porque retirou pressão ao desempenho.

Ainda assim, a atriz admitiu o peso da responsabilidade: “A ideia de entrar no Universo Cinemático da Marvel foi aterradora”, disse Mosaku, que inicialmente fez audições sem saber que o papel era para uma série sobre Loki.

Foi isso mesmo que aconteceu dez anos antes com Tom Hiddleston, no processo que o levou a ser Loki no grande ecrã.

Seis filmes depois, o ator diz-se “afortunado” por poder continuar a interpretar o personagem e ainda encontrar novos aspetos nele. “É um personagem com enorme alcance e nunca parece uma experiência igual”, disse Hiddleston.

“Não tenho dúvidas de que a razão pela qual posso continuar a interpretar Loki é porque ele significa tanto para tanta gente”, ponderou. “Alguns gostam do seu tom de brincadeira, espontaneidade e sentido inerente de travessura. Alguns gostam dele como antagonista. E alguns são atraídos pela sua vulnerabilidade”, opinou. “Por baixo daquela camada de charme, carisma está algo humano muito relacionável, o ser vulnerável”.