Lionsgate. É normal que nunca tenha prestado grande atenção a este nome se não é um aficionado cinéfilo ou o tipo de pessoa que liga a essas coisas. Afinal, não é daqueles logotipos conhecidos que aparecem antes do filme e que compõem o grupo dos Big Six - que geram aproximadamente 80% das receitas de bilheteira dos Estados Unidos e do Canadá, como a Warner Bros., a Disney, ou a Paramount.

No entanto, é um estúdio que já produziu títulos oscarizados como The Hurt Locker (2008), Crash (2004), Monster’s Ball (2001) Precious (2009) ou Juno (2007). O Lionsgate conseguiu também produzir dois franchises extremamente lucrativos: Twilight e Hunger Games.

Independentemente de se gostar ou odiar, é quase impossível afirmar que não conhece ou que nunca ouviu falar destas sagas que envolvem lobisomens, vampiros e jogos de sobrevivência de adolescentes até à morte em cenários distópicos.

Mas, caso se tenha isolado numa ilha remota sem TV, revistas ou Wi-Fi durante os últimos anos, vai ter nova oportunidade para ouvir falar sobre isto, já que o presidente-executivo da Lionsgate não parece disposto a colocar um pouco final nestas sagas.

"Existem ainda muitas histórias para contar. E nós estamos prontos para as contar quando os nossos criadores estiverem prontos também para as contar", explicou Jon Feltheimer à Variety.

E o que faz despontar tamanha motivação e devoção? Os números, claro. Está tudo na aritmética. De acordo com o site especialista em bilheteira Box Office Mojo, a saga vampiresca vs lobisomens protagonizada por Kristen Stewart e Robert Pattinson rendeu cerca 1,36 mil milhões de dólares) desde a estreia do primeiro capítulo, em 2008. Na outra face da moeda, o franchise em torno de Jennifer Lawrence amealhou aproximadamente 1,5 mil milhões de dólares.

A Variety adianta também que tanto Stephenie Meyer (escritora dos livros da saga Twilight) como Suzanne Collins (autora de Hunger Games) ainda não se comprometeram com este intento. Apesar disso, o estúdio está confiante de que esse detalhe não será verdadeiramente um problema; aliás, este tópico não veio à baila somente durante esta entrevista de Feltheimer. Já em 2015, o vice-presidente Michael Burns afirmou que os Jogos de Fomes "vão continuar" numa série de prequelas, ainda que a segunda parte do último capítulo (o último filme foi divido em dois) não tenha corrido tão bem na bilheteira.

Só que há que ter algo em conta: estes filmes vivem também de caras. E, a mais importante delas, a atriz Jennifer Lawrence, não se mostrou muito inclinada para reencarnar novamente a alma de Katniss Everdeen. "É demasiado cedo", explicou há dois anos, enquanto fazia a promoção de Joy (2015), filme que até lhe valeu uma nomeação para um Óscar. Também as carreiras de Kirsten Stewart e Robert Pattinson parecem estar a carrilar pelo mundo cinematográfico independente e dificilmente deverão aceitar retornar aos papéis que acabaram por catapultá-los para a fama. Mas certamente que não será isso impedimento para que o estúdio volte a sonhar com uma grande cascata de dinheiro.

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