A Livraria Lello, no Porto, marca a reabertura do espaço — "uma página que levou 77 dias a virar" — com a iniciativa São João dos Livros, com acesso gratuito.

"Fazemo-lo porque junho é o mês da cidade do Porto e do São João. Este ano não o poderemos celebrar como habitualmente e como a data merece, e por isso, todos os dias, de 30 de maio a 30 de junho, serão dias de São João, numa festa colectiva da cidade e de todos os portuenses", pode ler-se no Facebook.

Os livreiros estarão disponíveis para receber os visitantes, de quarta-feira a domingo, das 11h00 às 19h00, com visitas de 45 em 45 minutos, para um máximo de 10 pessoas, divididas em dois grupos. Ao longo da visita serão contadas as histórias da Livraria Lello e falar-se-á de livros, "esse bem de primeira necessidade".

Contudo, a livraria não parou durante o tempo em que esteve encerrada, explicando as iniciativas em comunicado enviado ao SAPO24.

"A 13 de março tivemos, para bem de todos nós, de fazer o que nunca - excepto quando investimos na requalificação deste edifício monumento - havíamos até aqui feito: fechar a porta a todos os nossos amigos. Não fechámos as nossas portas aos novos autores, lançando com “Os Contos da Quarentena” um repto a todos os que gostam (ou descobriram agora que gostam) de escrever e têm algo a dizer sobre estes dias e noites em branco, tendo recebido até ao momento mais de mil candidaturas de novos escritores, vindos de locais tão díspares como Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Argentina, Brasil e Moçambique", pode ler-se.

Para manter os hábitos de leitura, durante o mês de abril, a Lello abriu "um fisicamente pequeno mas simbolicamente
gigante postigo para a cidade, o Drive-Thru da Livraria Lello, tendo recebido, mesmo em tempos de pandemia, centenas de leitores diariamente, com um total de mais de 10.000 livros oferecidos, todos eles editados pela Livraria".

Foram distruibuídos gratuitamente livros como “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu; “Peter Pan”, de J. M. Barrie; “Moby-Dick” de Herman Melville; “Antologia Poética”, de Fernando Pessoa, entre outros, sempre com a ideia de que as obras fossem "poderosas metáforas dos tempos que vivemos".

A Livraria Lello informou ainda que vai começar uma iniciativa: "O Posfácio das Carmelitas". Todos os sábados, às 17h00, a Livraria Lello "sai de si mesma, montando banco e banca na sua rua, a das Carmelitas, para, com acesso inteiramente gratuito, controlo de lotação, distanciamento social e segurança sanitária, ouvir e contar histórias de novos e menos novos autores".

"Se os livros têm sempre um papel fundamental na vida das populações, ainda mais assumem um papel insubstituível neste período difícil em que vivemos, durante o qual são um forte contributo para a sanidade mental de todos nós", é referido. "Por isso mesmo, jamais nos poderíamos esquecer, agora mais do que nunca, de cumprir a nossa missão de pôr o mundo inteiro a ler sempre que haja mundo, leitores e o que ler".

A livraria portuense remonta ao ano de 1906 e é um edifício de interesse público visitado diariamente por turistas, devido à sua arquitetura.

O crescente fluxo turístico ao longo dos últimos anos na Livraria Lello obrigou a uma nova organização da visita ao edifício com a introdução, em 2015, de um ‘voucher' descontável em livros, que deve ser comprado num edifício perto da Lello.

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