Na placa, localizada no jardim em frente à prisão, leem-se os versos “Hei-de passar nas cidades/como o vento nas areias/ e abrir todas as janelas/ e abrir todas as cadeias”, da autoria de Manuel Alegre, palavras que foram cantadas pela fadista portuguesa Amália Rodrigues e pela brasileira Maria Bethânia.

Na inscrição consta ainda que o município de Oeiras, no distrito de Lisboa, “presta homenagem aos presos políticos e seus libertadores, passados que são 45 anos do 25 de Abril de 1974”.

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, afirmou que decorridos 45 anos desde a revolução “a democracia portuguesa consolidou-se” e “estabeleceu-se um consenso na sociedade portuguesa”: O “25 de Abril foi determinante para a paz" e para que "os portugueses passassem realmente a pensar pela sua cabeça e a expressar aquilo que pensam e foi-lhes permitido determinar o seu destino, através do processo eleitoral”.

Na ótica do autarca, “quando se comemora o 25 de Abril de uma forma mais popular, ou não”, não se deve “fazer por uma questão de saudosismo do que foi o 25 de Abril”.

Isaltino Morais concretizou que os políticos “têm de entender que as ambições, os sonhos, as expectativas dos jovens da geração de 74, não são os de hoje”, salientando que “houve uma evolução e a realidade hoje é diferente”.

“Factos como este são muito importantes para a memória, para a identidade, para a cultura do nosso povo, porque é através da memória que nós podemos apresentar exemplos que são referenciais, exemplos de coragem, de combate, de resistência, de não aceitar resignadamente que os outros decidam por nós”, referiu.

Por isso, afirmou que “este ato não é de facto um ato de saudosismo, é um ato de homenagem àqueles que tiveram coragem de lutar pela liberdade dos seus concidadãos, e levaram a sua coragem ao ponto de se privarem da sua própria liberdade”.

Também presente na ocasião, o poeta Manuel Alegre disse à agência Lusa que “mais vale tarde que nunca. Passaram 45 anos, 45 anos é muito tempo”.

Apontando que o dia em que se comemora a liberdade “é sempre um novo ponto de partida”, o histórico socialista considerou que “é um momento significativo, porque foi com a libertação dos presos que se concretizou verdadeiramente o 25 de Abril”.

“Só a partir desse momento é que o 25 de Abril passou a ser o dia da liberdade para todos os portugueses”, defendeu.

“Nós vivemos em liberdade e vivemos em democracia. Não há democracias perfeitas nem há liberdades perfeitas, as democracias muito perfeitas normalmente acabam e degeneram em ditadura, portanto há sempre qualquer coisa para fazer para melhorar. Os debates hoje são outros, as aspirações são outras, aquilo que os jovens precisam e querem são outros projetos e outros sonhos”, assinalou.

Na opinião de Alegre, este foi “um momento muito bonito e muito significativo”.

Sobre os versos da sua autoria, que se leem na placa, Manuel Alegre apontou que “foram tantas vezes ditos e cantados” que quase já não lhe pertencem.

“Para mim também foi comovente porque eu assisti a este momento no exílio, através da televisão, ainda estava em Argel”, recordou o poeta, acrescentando que “é muito justo celebrar as mulheres e os homens que significavam a natureza da ditadura que durante quase meio século oprimiu Portugal”.

Alguns dos homens e mulheres que estiveram presos em Caxias e também noutras prisões do país durante a ditadura marcaram presença na cerimónia de hoje, a par de familiares e amigos que os esperavam quando saíram do cárcere.

Para marcar o momento da libertação, dezenas de crianças saíram a correr da prisão, com cravos.

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