Minutos após António Costa se ter despedido dos jornalistas na sequência da reunião com os presidentes de câmara dos municípios mais afetados pela pandemia de Covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo - Lisboa, Sintra, Amadora, Odivelas e Loures -, o microfone passou para Graça Freitas que, ao lado do secretário de Estado da Saúde, assumiu o 'prolongamento' das questões dos órgãos de comunicação social, na conferência da Direção-Geral da Saúde que aconteceu esta segunda-feira.

Confrontada com os novos casos (259), 63% dos quais na região de LVT, que começam a traçar um cenário de preocupação sobre a tranquilidade conquistada - e reconhecida - de há umas semanas, a diretora-geral da Saúde falou como se nunca se tivesse sentado naquela cadeira, explicando uma por uma as medidas de proteção necessárias não só nas freguesias dos concelhos mais afetados da região de Lisboa, mas em todo o país, como se não o tivesse feito numa base diária - só na última semana é que a rotina da conferência foi alterada - nos últimos três meses, como se agora, no período de desconfinamento falasse a outro país.

Assim, Graça Freitas lembrou que os "ajuntamentos não se devem verificar", explicando que por ajuntamentos se entende "uma quantidade de pessoas juntas sem nenhuma regra de distanciamento".  Disse que a higiene das mãos é extremamente importante, umas vez  "que as nossas mãos são um veículo de infeção para nós próprios e para os outros", pedindo "a utilização de uma barreira, de uma máscara, sempre que for necessário e possível".

Além disso, a diretora-geral salientou a importância de se cumprirem as medidas de etiqueta respiratória, "não devemos espirrar, falar veementemente ou tossir em direção a outros". "O gesto de desencontrar o nosso nariz e as nossas bocas de outras pessoas é muito importante", sublinhou.

Apesar de "não haver uma forte evidência que esse tipo de transmissão seja muito importante, sabemos que as partículas podem sair das superfícies e dos objetos para as nossas mãos e depois para o nariz e para a boca", acrescentou. "Portanto, muito cuidado com a desinfeção de superfícies e não partilhar objetos", afirmou.

Graça Freitas salientou que "nós todos somos a palha, porque não estamos protegidos nem pela vacina, nem pela imunidade natural e qualquer fogo, qualquer fósforo que chegue a palha pode dar origem a um foco de incêndio". Foi esta a analogia utilizada para pedir rapidez às pessoas no momento em que sentirem sintomas ou souberem que estiveram em contacto com alguma pessoa infetada pelo novo coronavírus. A regra é a mesma do início, ligar para a linha SNS24, aguardar as recomendações dos profissionais de saúde".

"Os médicos e também os laboratórios que fazem os testes têm um papel muito importante no papel da identificação precoce nas pessoas que é notificar. Nós só sabemos e podemos atacar aquilo que conhecemos. Portanto, os médicos e os laboratórios devem notificar rapidamente dos casos que conhecem. E para quê? Para que as autoridades de saúde perante um caso conhecido possam procurar os seus contactos. E quer um caso de quem já tenha doença e dê positivo, tenha ou não tenha sintomas, seja ligeiro ou menos ligeiro, quer os seus contactos próximos, devem ficar em confinamento durante 14 dias. Não sair, não sair, não sair porque ao saírem estão a pôr em risco os outros. Em vez de serem só aquelas pessoas serão os seus vizinhos, os seus amigos, os seus colegas, os seus companheiros de transporte, todas as outras pessoas", explicou.

Questionada sobre a possibilidade de as férias, nomeadamente escolares, levarem a um aumento de casos, a responsável da Direção-Geral da Saúde (DGS) notou que “há regras de convívio, seja com o vizinho, com o concelho ou com o país do lado” e uma delas é que “diferentes grupos [de coabitantes] não devem conviver de perto”.

“Não tenho qualquer problema em pedir às pessoas que se afastem de mim se achar que estão muito próximas. Porque posso contagiá-las ou porque me podem contagiar. Vejo pessoas a falar veementemente em direção ao outro e isso não é adequado. É precisa etiqueta respiratória”, observou Graça Freitas.

A responsável da DGS lembrou ainda a regra de “evitar partilha física”, sejam “abraços, beijos”, seja a “proximidade” ou “troca de objetos”.

“É óbvio que os grupos de jovens, deixando de estar na escola [devido às férias], passam a estar em outros locais. Mas há regras de convívio. Ninguém impede que as pessoas convivam. Mas com regras”, frisou.

Graça Freitas ressalvou que o contágio não depende das férias, porque o distanciamento é “algo que se treina sem sair do bairro ou da vizinhança”.

Lacerda Sales, aproveitou o tom, para reforçar que o bem-estar coletivo continua a depender da responsabilidade individual: “Desconfinar não é relaxar, nem desresponsabilizar”.

“Temos a obrigação de continuar a cuidar uns dos outros. Os mais novos têm a obrigação de proteger os mais velhos e os mais frágeis”, declarou, referindo que o vírus que causa a Covid-19 “ainda não passou”, nem existe vacina, pelo que continua a existir risco para a saúde se não forem observadas as regras sanitárias.

“Os serviços de saúde em Lisboa e Vale do Tejo não estão sob grande pressão”

Os hospitais mais “pressionados” em Lisboa e Vale do Tejo são o Fernando Fonseca (Amadora), Beatriz Ângelo (Loures) e de Setúbal, com taxas de ocupação de 93%, 100% e 86%, respetivamente, revelou hoje o secretário de Estado da Saúde.

Na conferência de imprensa da Direção-Geral da Saúde sobre a Covid-19, António Lacerda Sales adiantou ainda que os “menos pressionados” são os hospitais de Lisboa Ocidental, com uma ocupação de 57%, o do Médio Tejo, com 26% e o de Lisboa Norte, com um valor entre os 75 e os 80%.

Questionado sobre o número de jovens infetados com o novo coronavírus internados e sobre os internados em cuidados intensivos, o governante não soube especificar, adiantando que “os serviços de saúde em Lisboa e Vale do Tejo não estão sob grande pressão” e que as unidades de cuidados intensivos apresentam “uma taxa de ocupação de 59%”, ao passo que a taxa de ocupação nacional é de 63%.

“Em 218 camas estão livres 89”, adiantou Lacerda Sales.

Quanto “ao conjunto de camas livres afeto à covid” na Área Metropolitana de Lisboa, Lacerda Sales disse que “está pouco abaixo dos 50%”.

Relativamente a números nacionais, o secretário de Estado da Saúde revelou ser de 63% a taxa de ocupação em cuidados intensivos.

Das 531 camas “disponíveis” em cuidados intensivos, estão vagas 199, observou.

Lar de Odivelas com 60 utentes e 27 funcionários infetados

Na conferência de imprensa sobre a pandemia, Graça Freitas confirmou o caso de infeção no lar de Caneças, referindo existirem “alguns lares ativos” relativamente a surtos de covid-19, em Lisboa e Vale do Tejo e “noutras regiões”.

Referindo-se ao lar em Caneças, Graça Freitas disse que “os últimos casos que foram reportados dizem respeito a 60 pessoas positivas entre os residentes e a 27 positivos entre os profissionais”

“Obviamente, estes profissionais estão todos afastados do exercício da sua profissão e já foram tomadas as medidas para afastar os residentes que estão doentes daqueles que não estão doentes a fim de evitar a continuidade do contágio”, acrescentou a diretora-geral da Saúde na conferência de imprensa.

Os lares de idosos vão continuar a receber visitas apesar dos surtos de infeção por covid-19 que têm surgido em alguns porque “os grandes vetores da doença são os profissionais”, disse hoje a diretora-geral da Saúde.

“Vamos manter as visitas, enquanto elas cumprirem as regras. Sempre que aparece um caso positivo, suspendemos as visitas. Mas, nos focos que têm surgido, são os profissionais dos lares os grandes vetores de entrada da doença, muito mais do que as visitas”, observou Graça Freitas na conferência de imprensa sobre a pandemia.

A responsável fez “um grande apelo” aos profissionais que trabalham nos lares e que, “muitas vezes, trabalham em mais do que uma instituição”, para protegerem os idosos, “mais frágeis” perante a infeção do novo coronavírus.

Relativamente às visitas, Graça Freitas referiu ainda que as mesmas são feitas com regras, nomeadamente de distanciamento e de circuitos diferenciados.

A 18 de junho, a diretora-geral já tinha afirmado que os funcionários de lares “têm uma responsabilidade acrescida”, nomeadamente no cumprimento das regras de prevenção da covid-19, porque “o teste [de rastreio] não é uma vacina”.

“Temos de apostar na formação, na literacia para as regras de higiene. Os idosos estão circunscritos àquele espaço [ao lar]. Se são infetados é porque alguém do exterior traz a infeção. Os funcionários têm uma responsabilidade acrescida, porque foram testados e cuidam de pessoas mais velhas, mais vulneráveis”, afirmou

Unidades de saúde da Amadora, Sintra, Loures e Odivelas reforçadas com cerca de 20 profissionais

O anúncio foi feito durante a conferência de imprensa pelo secretário de Estado da Saúde que referiu que a Região de Lisboa e Vale do Tejo continua a exigir atenção relativamente à Covid-19. De acordo com António Lacerda Sales, as unidades de saúde de Amadora, Sintra, Loures e Odivelas já “duplicaram a capacidade de realização de inquéritos epidemiológicos”, uma ferramenta considerada crucial para identificar, isolar e quebrar cadeias de transmissão da Covid-19.

“São mais cerca de 20 recursos humanos alocados a estes serviços”, afirmou, especificando que são mobilizados profissionais de várias instituições, entre as quais a Escola Nacional de Saúde Pública, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical, a Cruz Vermelha Portuguesa, da Administração Regional de Saúde do Centro e a Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.

No grupo, encontram-se também médicos de formação geral dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Muitos destes profissionais vão começar esta semana, prevendo-se assim também assegurar a mesma capacidade de resposta durante o período de férias”, acrescentou o governante durante a habitual conferência de imprensa para atualizar a informação relativa à pandemia de Covid-19 em Portugal.

“Estamos a falar de focos. Como nos focos de incêndios, é preciso acudir com os meios disponíveis para evitar que a situação de alastre”, disse.

O secretário de Estado indicou que a ocupação em unidades de cuidados intensivos é de 63%, dos quais 21% de doentes com Covid.

No entanto, frisou, “uma coisa é a capacidade de resposta do SNS à pandemia e outra é a capacidade de a sociedade travar a propagação”.

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