O fundador do partido grego Aurora Dourada, Nikos Michaloliakos, de 62 anos, foi condenado hoje a 13 anos de prisão por dirigir uma "organização criminosa".

Após cinco anos e meio de audiências, o tribunal qualificou na semana passada, por unanimidade, o partido como uma "organização criminosa". O veredicto foi descrito como "histórico" pelo Presidente da República e por parte da classe política grega.

Nascido em Atenas e matemático de formação, Nikos Michaloliakos ingressou na extrema-direita grega aos 16 anos, antes de ser preso por posse e uso de explosivos.

Duas penas de prisão por atos de violência, em 1976 e 1978, valeram-lhe a expulsão do Exército. No entanto, foi enquanto esteve detido que contactou com Georges Papadopoulos, um dos integrantes da junta militar no poder na Grécia de 1967 a 1974, que foi fundamental na sua formação como militante. Papadopoulos confiou-lhe a secção juvenil do partido de extrema-direita EPEN, que mais tarde abandonaria.

Qualificado como "Führer" do partido no documento dos juízes de instrução, foi depois da sua libertação que o ex-deputado lançou as bases para a formação do partido em 1980, com a publicação da revista Aurora Dourada (Chryssi Avghi), que terminava os textos com Heil Hitler.

Em torno da publicação, surgiu um pequeno grupo que agia na semiclandestinidade, promovendo um discurso xenófobo e antissemita, que elogiava Adolf Hitler.

Na década de 90, com a primeira onda migratória para a Grécia – resultado da desintegração da União Soviética –, o Aurora Dourada candidatou-se às eleições, tendo mal atingido 1% dos votos.

No entanto, em 2008, com o início da crise socioeconómica, o partido de Michaloliakos começou a ganhar algum destaque, acabando em 2015 por se tornar na terceira força política no Parlamento.

Em 2010, entrou para o Conselho Municipal de Atenas, tendo chegado a realizar publicamente a saudação nazi, em janeiro de 2011.

Em maio de 2012, em plena campanha eleitoral, o líder do partido negou a existência de câmaras de gás no Holocausto, em declarações à emissora grega MegaTV. “Não houve crematórios, isso é mentira. Nem câmaras de gás”, declarou, referindo-se aos campos nazis.

O logotipo do Aurora Dourada tinha algumas semelhanças com uma suástica, mas Michaloliakos rejeitou o rótulo neonazi, apelidando o seu partido de "nacionalista grego".

"A Grécia está a desaparecer, há milhões de imigrantes ilegais e, entre eles, há criminosos que assassinam idosos”, afirmou o líder do partido durante a campanha para as eleições legislativas de 2012, num contexto de cânticos marciais e do grito de guerra do partido –"Sangue, honra, Aurora Dourada".

O seu discurso ecoou num país com uma classe política tradicional desacreditada e, nas eleições de 2012, o Aurora Dourada obteve quase 7% dos votos. Foi assim que Michaloliakos conseguiu o seu lugar no Parlamento, juntamente com outros 17 deputados do partido, entre os quais a sua esposa, Eleni Zaroulia, que também foi hoje condenada a seis anos de prisão.

Além da sua esposa, a sua única filha, Ourania, também esteve envolvida nas atividades do Aurora Dourada, mas não foi processada. No entanto, o seu ex-marido, Artemis Matthaiopoulos, foi um dos condenados e recebeu uma pena de dez anos de prisão.

Organizado de acordo com as regras do "poder do líder" ("Führerprinzip"), o Aurora Dourada passou a atuar como organização criminosa, "principalmente a partir de 2008", multiplicando os ataques, segundo a denúncia do Ministério Público.

Michaloliakos abandonou o Parlamento grego depois das eleições legislativas de 2019, quando o seu partido foi dizimado nas urnas.

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