"É, de facto, uma operação de grande complexidade, por várias razões", e "pode demorar horas ou vários dias", dependendo da "maior ou menor dificuldade" no acesso às vítimas, disse à agência Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (AsproCivil), Ricardo Ribeiro.

Segundo o também comandante dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos, "antes de mais", a "grande complexidade" da operação, ainda hoje, deve-se ao "facto de já ser de noite" e à distância entre o teatro de operações e "alguns meios diferenciados de socorro", como equipas de mergulhadores.

De acordo com as informações disponíveis, frisou, a parte da pedreira onde ocorreu o deslizamento de terras "não tem acesso direto, ou seja, o acesso é feito verticalmente, através de meios mecânicos".

"Portanto, há a necessidade de fazer o socorro através daquilo a que chamamos o grande ângulo, ou seja, através de corda e com uma maca de evacuação vertical", explicou.

Depois, continuou, "há um outro aspeto a ter em conta, que é a segurança das equipas de socorro", porque as autoridades "ainda estão a avaliar o risco de haver continuidade de movimentação de terras", ou seja, de novos deslizamentos.

A "grande complexidade" da operação advém também do facto de não haver visibilidade na área líquida da pedreira para se encontrar as vítimas e de, para já, não se saber o local exato das vítimas, quantas vítimas são e em que estado estão, ou seja, se estão dentro ou fora das viaturas arrastadas, se estão só subterradas ou só submersas ou se estão subterradas e submersas, explicou.

Portanto, há uma "série de variáveis" que "o comandante das operações de socorro tem de ter em conta para tomar as suas decisões de comando", sublinhou.

Por isso, "foram chamadas várias entidades e toda uma complexidade de técnicos, que têm visões diferenciadas do mesmo problema e que podem sustentar as decisões do comandante das operações de socorro".

Segundo Ricardo Ribeiro, a operação "pode demorar horas ou vários dias, dependendo do local onde estiveram as vítimas" e da acessibilidade até elas.

O aluimento "não foi só de terras", já que "houve uma estrada que desabou" e, junto com ela, paralelepípedos de granito e o material que a sustentou, durante dezenas de anos, o que criou "um fluxo de resíduos, que tem uma força destruidora muito grande e, certamente, envolveu as vítimas e acaba por limitar e dificultar o acesso às mesmas".

"Portanto, o tempo do teatro de operações vai depender da maior ou menor dificuldade no acesso às vítimas", rematou.

Segundo disse à Lusa fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o aluimento de um troço da Estrada Nacional (EN) 255, no percurso entre Borba e Vila Viçosa, cujo alerta foi dado às 15:45, provocou a queda de "dois veículos civis" para dentro de "uma pedreira com 50 metros de profundidade" e o "deslocamento de uma retroescavadora com o maquinista e auxiliar"

De acordo com a mesma fonte, as equipas de socorro já estabeleceram contacto visual com a retroescavadora e uma das vítimas arrastadas hoje à tarde para o interior da pedreira.

O deslizamento de terras provocou, pelo menos, dois mortos, ou seja, dois operários da empresa que explora a pedreira, divulgou o Comandante Distrital de Operações de Socorro de Évora, José Ribeiro.

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