“As alterações climáticas são inegáveis e uma das maiores ameaças para o mundo atualmente e para o futuro do nosso planeta. Não podemos parar a ação no que diz respeito ao clima e apelo aos países do mundo inteiro que mantenham o foco, que continuem empenhados nos acordos de Paris para benefício de todos nós”, afirmou o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) aos jornalistas à margem do Fórum Internacional de São Petersburgo, na Rússia.

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quinta-feira a retirada dos EUA do Acordo de Paris — assinado em 2015 por quase 200 países e ratificado por 147 -, dizendo que este pacto coloca em “permanente desvantagem” a economia e os trabalhadores norte-americanos, tendo proposto renegociar um “melhor” e “mais justo”.

“No que diz respeito à sociedade norte-americana, estou profundamente convencido de que os estados, as cidades, a comunidade empresarial, a sociedade civil irão continuar empenhados e apostarão na economia verde, porque é a economia do futuro”, acrescentou António Guterres.

“Aqueles que apostarem nos acordos de Paris e na economia verde serão aqueles que terão um papel importante na economia do século XXI”, concluiu.

Ban Ki-moon "profundamente dececionado"

“Como ex-secretário-geral da ONU [Organização das Nações Unidas] só posso expressar a minha profunda deceção e preocupação com a recente decisão do presidente dos EUA de se retirar do Acordo de Paris”, afirmou o político sul-coreano num comunicado hoje divulgado.

“Dado que os EUA são um dos maiores países emissores de gases com efeito estufa, esperamos que regresse ao acordo e exerça a sua liderança para a aplicação do mesmo”, refere Ban Ki-moon, que deixou o cargo de secretário-geral da ONU em dezembro, no comunicado hoje divulgado.

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O político defende ainda que o acordo dá esperança ao planeta com base “na unidade e na solidariedade da comunidade internacional” e insta todos os estados membros a implementar o texto irrefutavelmente “apesar da decisão lamentável dos EUA”.

Entretanto, uma ex-enviada especial da ONU em matéria de alterações climáticas afirmou que a decisão dos EUA torna o país “um estado desonesto no palco internacional”.

Mary Robinson fez estas declarações enquanto elemento de um grupo de líderes mundiais conhecido como The Elders.

Num comunicado hoje divulgado, o The Elders pede aos estados e empresas norte-americanos que tomem medidas onde o governo federal se retirou.

Além disso, o grupo refere ainda que a retirada dos EUA do Acordo de Paris enfraquece a confiança dos países em vias de desenvolvimento nos países desenvolvidos em relação a quem irá financiar os milhares de milhões de dólares necessários para combater as alterações climáticas.

Para o diretor do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, Erick Solheim, a decisão do presidente norte-americano “não coloca um ponto final neste esforço imparável [de combate das Alterações Climáticas]”, considerando que a China, a Índia, a União Europeia e outros estão já a demonstrar uma forte liderança.

“Uma única decisão política não irá descarrilar este esforço incomparável”, referiu num comunicado hoje divulgado.

Portugal ratificou o acordo de Paris em 30 de setembro de 2016, tornando-se o quinto país da União Europeia a fazê-lo e o 61.º do mundo.

O acordo histórico teve como “arquitetos” centrais os Estados Unidos, então sob a presidência de Barack Obama, e a China, e a questão dividiu a recente cimeira do G7 na Sicília, com todos os líderes a reafirmarem o seu compromisso em relação ao acordo, com a exceção de Donald Trump.

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