Em declarações à agência Lusa, o responsável pela SCA, Rogério Veiros, assegurou a permanência dos funcionários da conserveira açoriana e disse que a fábrica até precisa de “aumentar o número de trabalhadores disponíveis”.

“Transitamos todos os funcionários que estão no ativo da Santa Catarina para a SCA. Iremos assumir esta responsabilidade, mas precisamos de contratar funcionários e estamos com dificuldades de contratação no mercado local. Prevemos, inclusive, a contração de fora do país”, revelou.

A conserveira Santa Catarina, que emprega perto de 140 pessoas, das quais 109 mulheres, foi hoje consignada à gestão privada, conforme tinha revelado o presidente do executivo açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM, José Manuel Bolieiro, em 22 de julho.

Em 26 de fevereiro, tinha sido anunciado que o agrupamento de Rogério Veiros, que presidiu à Santa Catarina entre 2015 e 2021, tinha ficado em primeiro lugar no concurso público para explorar a conserveira, por mais de sete milhões de euros.

Segundo Rogério Veiros, “além de preparar toda a logística”, os novos gestores da Santa Catarina tiveram de realizar um “investimento numa entrega de garantia bancária a dez anos” no valor de 412 mil euros.

“Teremos que pagar nos próximos dez anos uma renda mínima anual de 206 mil euros e, no final dos dez anos, temos o direito de exercer a opção de compra no valor de cinco milhões de euros”, referiu.

O empresário disse também prever a realização de investimentos nos “próximos anos” para “melhorar a eficiência energética” e aumentar a produtividade da conserveira.

“Vamos rapidamente reativar a comercialização dos patés que habitualmente eram feitos nesta fábrica. Nós queremos reintroduzi-los no mercado, mas para isso precisamos de criar algum investimento e espaço na fábrica", acrescentou.

A nova administração pretende ainda lançar um produto de “atum temperado pronto a consumir” e utilizar os fundos comunitários para criar uma loja na fábrica.

“Essa loja irá responder a um conjunto de solicitações muito grande, desde visitantes, residentes e operadores turísticos”, sustentou, perspetivando que a loja entre em funcionamento no “próximo verão”.

Considerando que o “pior já passou” quanto à sustentabilidade da Santa Catarina, Rogério Veiros lembrou que a conserveira viveu nos últimos anos com um "pesado passivo em cima de si”, apesar de ter registado um “trajeto de crescimento na produção e nas vendas”.

“A SCA vai explorar esta fábrica sem o passivo e isso vai facilitar a gestão do dia-a-dia da fábrica. Além disso, a Santa Catarina não poderia concorrer aos investimentos por fundos comunitários para melhoria da fábrica. A SCA vai poder fazê-lo”, reforçou.

Em maio, foi assinado o contrato de exploração a privados, que pressupõe o pagamento de um montante não inferior a sete milhões de euros repartidos por 10 rendas anuais.

O contrato foi assinado entre a Lotaçor (Serviço de Lotas dos Açores), a sua subsidiária Santa Catarina e a SCA.

Construída em 1940, a fábrica de atum Santa Catarina está instalada na Fajã Grande, na Calheta, ilha de São Jorge, e tem 140 trabalhadores que o privado se comprometeu a manter.

Em 2008, o Governo Regional, liderado pelo PS, anunciou a decisão de comprar a fábrica de conservas Santa Catarina para evitar o desemprego de mais de uma centena de trabalhadores, mas a unidade continuou a enfrentar dificuldades.

O atual Governo dos Açores revelou em fevereiro que vai assumir a dívida bancária da conserveira Santa Catarina, num valor superior a 6,6 milhões de euros, segundo um despacho publicado em Jornal Oficial.

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