“No que diz respeito aos serviços públicos, há uma orientação para assegurar, nas circunstâncias atuais, a normalidade”, afirmou José Manuel Boleiro, após o 'briefing' diário de Proteção Civil na vila das Velas, centro da crise que já registou milhares de sismos de fraca magnitude, mas sem provocar danos na ilha do grupo Central do arquipélago.

Segundo disse, os dados mais recentes indicam uma “estabilidade da perturbação sismovulcânica” que ocorre no concelho de Velas, estando os meios de resposta instalados com “eficiência e prontidão”.

Em declarações aos jornalistas, José Manuel Bolieiro assegurou ainda a “tranquilidade quanto ao 'stock' de medicamentos” na ilha.

“Houve de facto um reforço do consumo, mas está assegurada nas farmácias e centros de saúde a `stockagem´ necessária de medicamentos para a população em geral”, salientou o presidente do executivo açoriano, de coligação PSD/CDS-PP/PPM.

De acordo com o governante, em caso de qualquer alteração das circunstâncias, os sistemas de alerta em redundância “estarão prontos para comunicar o que for devido em cada momento”.

Relativamente ao impacto da crise sísmica na economia da ilha, José Manuel Bolieiro afirmou que o Governo não “ficará indiferente” a essa situação, admitindo a implementação de um sistema para compensar quebras de rendimento e de faturação.

Segundo o presidente do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), Rui Marques, o concelho das Velas continua com uma atividade sísmica fora do normal no sistema fissural vulcânico de Manadas, tendo sido registados desde as 00:00 de hoje 614 sismos de fraca magnitude.

Desde 19 de março, dia em que se iniciou a crise sismovulcânica, já foram sentidos pela população 207 sismos, três dos quais hoje, sem provocar danos.

Para o presidente da Câmara Municipal das Velas, depois de muitos habitantes terem saído das Velas nos últimos dias por precaução, “hoje sente-se muitas pessoas a retornar ao concelho, porque efetivamente nada de negativo aconteceu no fim de semana”.

“Queremos e devemos manter a normalidade no concelho porque não há nenhum motivo para fazer a evacuação de parte do mesmo”, adiantou Luís Silveira, ao salientar que a informação do CIVISA indica que a atual situação sismológica pode durar várias semanas ou meses.

Segundo o autarca, o aparato de meios na ilha destina-se a garantir uma robustez dos serviços de proteção civil para estarem preparados para apoiar as pessoas em caso de necessidade.

A ilha de São Jorge contabilizou mais de 14 mil sismos, 207 dos quais sentidos pela população, desde o início da crise sísmica em 19 de março, segundo os dados oficiais mais recentes.

O número de sismos registados nesta crise é mais do dobro do total contabilizado em toda a região autónoma dos Açores durante o ano 2021.

Cerca de 2.500 pessoas já saíram do concelho das Velas, centro da crise sísmica, das quais 1.500 por via aérea e marítima, e as restantes para o concelho vizinho da Calheta, considerado mais seguro pelos especialistas.

A ilha está com o nível de alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.

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