Hamid Noury, de 60 anos, é acusado de “crimes de guerra” e “homicídios”, em virtude da jurisdição universal da justiça sueca para estes crimes.

De acordo com a acusação sueca, entre 30 de julho e 16 de agosto de 1988, quando era assistente do procurador adjunto da prisão iraniana de Gohardasht em Karaj, Noury “intencionalmente tirou a vida a um grande número de prisioneiros que simpatizavam ou pertenciam aos Mujahidine do Povo”, alvo de uma ordem de execução do ayatollah Khomeini, fundador da República Islâmica do Irão, após os ataques do movimento contra o regime no final da guerra entre o Irão e o Iraque (1980-88).

O réu é ainda suspeito de, no mesmo período, ter participado na execução de outros prisioneiros com base na sua ideologia ou crença, consideradas como opostas ao “Estado teocrático iraniano”, segundo o ministério público sueco.

Alvo de cerca de três dezenas de queixas — de vítimas, seus familiares ou testemunhas — Noury “nega qualquer acusação de envolvimento nas alegadas execuções de 1988”, de acordo com o seu advogado Thomas Soderqvist.

O julgamento de Hamid Noury – detido em novembro de 2019 no aeroporto de Estocolmo-Arlanda quando visitava a Suécia e em prisão preventiva desde então — começou às 09:15 locais (08:15 em Lisboa) no tribunal de Estocolmo e deve durar até abril de 2022, incluindo a audição de dezenas de testemunhas.

O caso é muito sensível no Irão devido ao facto de militantes acusarem responsáveis do atual Governo de terem desempenhado um papel naquele massacre, como o Presidente iraniano, Ebrahim Raissi, acusado pela Amnistia Internacional de ter sido membro de uma “comissão da morte”, na origem das execuções.

Questionado em 2018 e em 2020 sobre estas execuções, Raissi negou ter estado envolvido, mas prestou “homenagem” à “ordem” dada, segundo ele, pelo ayatollah Khomeini para realizar a purga.

Várias centenas de pessoas, principalmente partidários dos Mujahidine do Povo, juntaram-se diante do tribunal de Estocolmo antes do início do julgamento, exortando a justiça sueca e internacional a condenar Raissi.

No início de maio, mais de 150 personalidades, incluindo prémios Nobel, ex-chefes de Estado e de governo e antigos responsáveis da ONU, pediram uma investigação internacional sobre as execuções de 1988 no Irão.

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