A decisão foi tomada numa reunião extraordinária e pretende enviar “uma mensagem forte e coordenada” aos mercados globais de crude, após a invasão da Rússia à Ucrânia, indicou a organização num comunicado.

Sob a presidência rotativa da secretária de Energia dos Estados Unidos, Jennifer Granholm, os participantes da reunião, que teve um nível ministerial, manifestaram a sua solidariedade com a população da Ucrânia e o seu governo, face à violação da soberania e integridade territorial daquele país, segundo a agência espanhola EFE.

A AIE, com sede em Paris, foi fundada em 1974 para garantir a segurança do abastecimento dos países desenvolvidos após a crise do petróleo desencadeado no ano anterior, missão que desde então se expandiu, refere a agência France-Presse.

Tem 31 membros, incluindo Estados Unidos, Japão, Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido.

Cada país é obrigado a manter reservas de petróleo de emergência equivalentes a 90 dias de importações.

Em caso de problema de abastecimento, podem decidir libertar essas reservas para o mercado, no âmbito de uma ação coordenada.

Os países membros têm um total de 1.500 milhões de barris. O anúncio de hoje cobre o equivalente a 4% dessas reservas, ou seja, dois milhões de barris por dia, durante 30 dias.

A invasão russa, de acordo com o comunicado da AIE, ocorre num contexto global de tensão dos mercados petrolíferos, com aumento da volatilidade dos preços, reservas comerciais ao nível mais baixo desde 2014 e uma capacidade limitada dos produtores em fornecer uma oferta adicional a curto prazo.

Os preços do petróleo, que já estavam em trajetória ascendente, dispararam com a invasão da Ucrânia pela Rússia, um dos maiores ‘players’ do mercado de petróleo. Atualmente, o valor situa-se acima dos 100 dólares (89,29 euros).

O diretor executivo da organização, Fatih Birol, aplaudiu a decisão tomada: “A situação nos mercados de energia é muito grave e requer toda a nossa atenção. A segurança energética global está ameaçada, o que coloca em risco a economia mundial durante a frágil fase de recuperação”.

Desde que foi criada, esta é a quarta vez na história que a AIE realiza uma libertação acordada de reservas de emergência. As anteriores ocorreram, em 1991, durante a Guerra do Golfo, em 2005, para mitigar o impacto do furacão Katrina e, em 2011, como resposta à guerra civil líbia.

A AIE recordou que a Rússia desempenha um papel de destaque no mercado energético global, pois é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e o maior exportador.

As suas exportações, de cerca de cinco milhões de barris diários, equivalem a aproximadamente 12% do comércio mundial, e os seus cerca de 2,85 milhões de barris diários de produtos derivados de petróleo representam cerca de 15% do comércio mundial de produtos refinados.

Além disso, 60% das exportações de petróleo bruto da Rússia têm como destino a Europa e outros 20% a China.

A reunião ministerial da AIE concordou que o fornecimento de energia não deve ser usado como meio de coação política ou ameaça à segurança nacional e internacional e adiantou que não descarta uma nova libertação de petróleo, se for necessário.

O encontro, convocado de urgência na segunda-feira, abordou também a dependência do gás natural russo e a necessidade de reduzi-la a favor de outros fornecedores, bem como a continuação da aceleração da transição energética.

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