O presidente sírio disse estar determinado a levar adiante o controlo de toda a Síria, mas prevê que os combates contra os rebeldes, que tenta derrotar há quase cinco anos, podem ser longos. "Não faz sentido dizer que há uma parte do nosso território à qual renunciamos", declarou numa entrevista exclusiva à AFP realizada nesta quinta-feira, a primeira a um meio de comunicação desde o fracasso, no mês passado, das negociações de Genebra e do lançamento de uma vasta ofensiva militar na região de Aleppo.

Assad de acordo com negociações, mas mantendo combate ao "terrorismo"

Assad afirmou que está disposto a negociar com a oposição, continuando a guerra contra os insurgentes armados. "Desde o início da crise, acreditamos totalmente nas negociações e na ação política. Contudo, negociar não significa que vamos parar de combater o terrorismo. As duas vertentes são indispensáveis na Síria (...) A primeira vertente é independente da segunda.”

A batalha na região de Aleppo (norte da Síria) tem como objetivo "cortar a rota entre Aleppo e a Turquia", e não retomar o controlo sobre a segunda maior cidade do país, afirmou. A importância de cortar esta rota é que ela constitui "a principal via de abastecimento dos terroristas”.

“Ajudem os sírios a regressar a casa”

Assad afirmou que a Europa deve criar condições para ajudar os refugiados a regressar aos seus países. "Vou pedir aos governos europeus que contribuíram diretamente para o êxodo (dos refugiados sírios), dando cobertura aos terroristas e impondo o embargo contra a Síria, que ajudem os sírios a regressar às suas casas”.

Crimes de guerra na Síria: Assad diz que não há provas

O presidente sírio negou categoricamente as acusações da ONU, que responsabiliza o seu regime por inúmeros crimes de guerra, afirmando que as instituições das Nações Unidas são "dominadas pelas potências ocidentais" e que "a maior parte dos seus relatórios são politizados". "O que me leva a refutar as declarações ou relatórios dessas organizações, em primeiro lugar, é que não trazem evidências”. "É por isso que eu não temo nem ameaças nem essas alegações", salientou, quando questionado sobre se não tinha medo de prestar contas a um tribunal internacional.

A França deve mudar a sua política

A França deve "mudar a sua política" na Síria, a fim de "agir para combater o terrorismo", declarou Bashar al-Assad, que considerou que não cabe ao seu país fazer "um gesto em direção à França" para melhorar as relações bilaterais. Questionado sobre as suas expectativas com a saída do ministro dos Negócios Estrangeiros francês Laurent Fabius, Assad declarou que "a mudança de personalidades não tem verdadeiramente grande importância" e que são "as mudanças políticas" que contam

Os riscos de intervenção turca e saudita

O presidente sírio considerou que existe o risco de uma intervenção militar turca e saudita na Síria, mas que as suas forças "vão enfrentar" qualquer ação. "É uma possibilidade que eu não posso excluir pela simples razão de que (o presidente turco Recep Tayyip) Erdogan é intolerante, radical, pró-Irmandade Muçulmana e vive o sonho otomano (...) E o mesmo acontece com a Arábia Saudita. De qualquer forma, uma ação dessas não seria fácil para eles e nós com certeza vamos enfrentá-la".

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