"Nós [MIA] achamos que é completamente extemporânea esta possibilidade de construir mais um armazém temporário individualizado (ATI) em Almaraz. Neste momento, o ATI existente é suficiente para armazenar os resíduos nucleares gerados pelo funcionamento da central", afirmou à agência Lusa, o ambientalista e coordenador do MIA, Nuno Sequeira.

O diretor da Central Nuclear de Almaraz, Rafael Campos, citado pela imprensa regional estremenha, disse na apresentação do relatório semestral de atividades da unidade, este fim de semana, que o projeto de construção de um novo ATI está numa fase "inicial", sendo ainda cedo para saber qual será a sua configuração, localização ou características.

"Terá de se ver as necessidades que temos e, em função disso, fazer o desenho correspondente. No nosso setor tudo se faz com tempo", precisou Rafael Campos, ao mesmo tempo que sublinhava que, independentemente do horizonte temporal da central, o combustível nuclear utilizado terá de ser extraído das "piscinas", pelo que a central tem de "estar preparada".

Nuno Sequeira entende que as três empresas proprietárias da central nuclear de Almaraz, junto ao rio Tejo e a cerca de cem quilómetros da fronteira com Portugal, deviam preocupar-se "em anunciar, o mais rapidamente possível", uma data para o seu encerramento.

"Não percebemos porque é que isso [anúncio da data para o encerramento] não foi feito até ao momento. Entendemos esta falta de uma data para fechar a central, por parte do Governo espanhol, devido à instabilidade política que se vive no país", sustentou.

O coordenador do MIA reforça a ideia de que nos tempos mais próximos não será necessária a construção de um novo ATI.

"O MIA quer que o Governo [espanhol] decida de uma vez por todas a data de encerramento da central que, na nossa opinião, devia de ser em 2020, mas que na prática, infelizmente não é possível. Como tal, achamos que poderá ser admissível haver um prolongamento por dois ou três anos", afirmou.

Nuno Sequeira defendeu ainda que deve ser elaborado, "o mais rapidamente possível", um plano de desmantelamento da central nuclear de Almaraz.

Os proprietários da central nuclear espanhola de Almaraz chegaram em março último a um acordo para pedir a renovação da licença de exploração da fábrica até 2028.

As empresas proprietárias de Almaraz querem renovar a licença de exploração por mais 7,4 anos (2027) para o reator I da central e de 8,2 anos (2028) para o II.

O coordenador do MIA explica que, apesar deste acordo, oficialmente e por escrito, da parte do Governo espanhol, ainda não há uma decisão definitiva.

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