“Vejo bem as cores”, mas, se assim não fosse, seria “um bocado chato”, diz à agência Lusa Micael Figueira, aluno do 4.º ano da Escola Básica e Secundária Dr. Isidoro de Sousa, sede do Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo, no distrito de Évora.

Equipado com uns óculos especiais, que alteram as cores e as respetivas tonalidades, Micael foi um dos alunos do 3.º e 4.º anos deste agrupamento escolar que participou na ação “Ver e Sentir as Cores”, para a deteção precoce do daltonismo em crianças e jovens e a sensibilização da comunidade escolar e educativa.

A ação contou com a presença da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, e integra o Programa “Color ADD nas Escolas”, tendo o Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo sido o primeiro do distrito de Évora onde foi apresentado (já está no de Portalegre e noutras regiões do país).

O programa, da associação ColorADD.Social e apoiado pela iniciativa pública Portugal Inovação Social, utiliza o inovador código ColorADD, um alfabeto universal da cor que permite que os portadores de daltonismo possam relacionar os símbolos e identificar facilmente todas as cores.

Depois de um rastreio, Micael ficou a saber que não tem daltonismo. Mas colocou-se na “pele” de uma criança com esse problema e, munido dos óculos e com os símbolos para cada cor aprendidos, entreteve-se, tal como os colegas, a tentar desenhar com as cores corretas.

“Estou à espera do vermelho”, disse, apontando para os vários lápis onde, no topo, constam os símbolos respeitantes a cada cor. Uma ajuda que, se fosse daltónico, seria “importante”, porque, assim, “pelo menos saberia quais eram as cores”.

Também Mariana Amaro, de 10 anos, aluna do 4.º ano, tem os óculos colocados e pinta a bandeira de Portugal. O vermelho já lá está, o verde também, “só falta o amarelo”, indica, sem hesitações no lápis a pegar.

“É mais fácil pintar com lápis com estes símbolos” e faz diferença, “muita”, ter acesso a estes objetos com o código universal.

Acompanhada pelo presidente da Câmara de Viana do Alentejo, Bernardino Bengalinha Pinto, e de responsáveis da escola, a ministra apontou o ColorADD como exemplo de que os projetos na área da inovação social podem “servir para melhorar a qualidade de vida das pessoas”.

“Quer sejam pessoas mais idosas, quer sejam pequeninos, como hoje vi aqui, detetando aquilo que pode ser uma pequena deficiência, mas que, se não for atalhada a tempo, pode traduzir-se numa deficiência maior, numa exclusão na escola”, acrescentou.

A governante garantiu que existem já “muitos projetos” de inovação social “espalhados pelo país”, dirigidos “a públicos distintos” e que geram impactos sociais.

Depois de passar por Viana do Alentejo, a ministra rumou a Évora, para presidir ao encerramento de um encontro sobre inovação social, com autarcas e técnicos de ação social do Alentejo.

Maria Manuel Leitão Marques assistiu ainda ao arranque do Centro de Inovação Social da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, apoiado pela Portugal Inovação Social, que vai identificar, apoiar e promover projetos inovadores que contribuam para resolver os problemas sociais resultantes da baixa densidade populacional do Alentejo.

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