“Ao longo destes 60 anos de facto vimos muita evolução naquilo que são os direitos humanos no mundo”, referiu Paulo Fontes, diretor de comunicação e campanhas da Amnistia Internacional (AI) Portugal, mencionando, por exemplo, a evolução alcançada ao nível da abolição da pena de morte.

“Desde que a Amnistia começou a trabalhar neste tema, mais de metade dos países que tinham pena de morte, aboliram-na”, destacou o representante, lembrando ainda os passos dados ao nível “dos direitos individuais e coletivos, dos direitos das minorias, das pessoas LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo), das pessoas não binárias, dos direitos de pessoas de comunidades indígenas” e no “acesso à educação, à saúde e à habitação”.

No entanto, nesta análise retrospetiva, Paulo Fontes realçou os muitos desafios que ainda se apresentam à organização sexagenária e às 10 milhões de pessoas (apoiantes) que integram atualmente o movimento global da Amnistia Internacional e que “carregam a luz” dos direitos humanos.

Entre esses “grandes desafios”, na opinião do representante, estão “as grandes desigualdades” verificadas na área dos direitos económicos, sociais e culturais, “com evoluções a ritmos muito diferentes, quer entre países e regiões, quer dentro dos próprios países”.

Desigualdades essas que, segundo prosseguiu Paulo Fontes, a atual pandemia “veio exacerbar (…) e colocar a descoberto” os desafios que já existiam no campo dos direitos humanos.

Ainda relacionado com a pandemia do novo coronavírus, o diretor de comunicação destacou a defesa da igualdade de acesso às vacinas, “porque neste momento há muitos países que não sabem quando é que vão conseguir inocular sequer 10% da respetiva população”.

Mas a lista de desafios da Amnistia Internacional não fica por aqui, com Paulo Fontes a enumerar, entre outros, a defesa da igualdade de género, a justiça climática ou a denúncia e o combate à repressão e à perseguição “de quem trabalha e defende os direitos humanos ou de quem é simplesmente opositor ou dissidente”, numa referência ao recente caso do jornalista bielorrusso Roman Protasevich, detido no domingo em Minsk após o desvio de um avião comercial pelas autoridades bielorrussas.

“Costumamos dizer que trabalhamos para deixarmos de ser precisos e no dia em que isso acontecer ficaremos muito felizes. Porque quando não formos precisos, o mundo será um local melhor e cheio de direitos humanos. Até lá, vamos continuar a envolver quantas mais pessoas nesta resiliência e neste sonho dos direitos humanos”, frisou.

Sob o mote “uma vela que nunca se apaga”, a Amnistia Internacional lança hoje uma campanha que, segundo informou a organização, “promove a esperança” e “as vitórias alcançadas no âmbito dos direitos humanos” ao longo das últimas seis décadas.

A organização não-governamental (ONG) irá enviar hoje uma vela a várias personalidades portuguesas que têm dado a sua cara e voz na amplificação da mensagem da Amnistia.

Entre essas personalidades consta o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “símbolo do compromisso da organização com todos os portugueses que continuará a salvaguardar a defesa dos direitos humanos em Portugal e no mundo”, referiu a ONG num comunicado enviado às redações.

De acordo com a ONG, a campanha está intimamente ligada ao logótipo da Amnistia Internacional, “uma vela cercada de arame farpado, símbolo da luz que ilumina os abusos de direitos humanos que tantos perpetradores querem manter na escuridão”, e procura destacar “o sentido de resiliência e perseverança da organização”.

Ainda parte desta campanha, é também hoje lançado um microsite (www.60anosdeesperanca.pt) onde será partilhada a história da organização e os seus marcos mais relevantes destas seis décadas de trabalho em prol dos direitos humanos.

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