As consequências do pragmatismo e da “pacificação dos tiranos” são deixar que estes continuem a perseguir e a matar, disse a jovem de 20 anos, que se fez acompanhar por uma grande foto de Navalny, líder da oposição russa, preso político e que por isso não pode receber o prémio atribuído pelo Parlamento Europeu pessoalmente em Estrasburgo.

Daria disse que perguntou a Navalny o que este queria que ela dissesse no discurso perante os eurodeputados e que este lhe pediu para dizer que “não se pode comparar a Rússia ao regime de Putin”, que a Rússia “faz parte da Europa e quer continuar a fazer (parte)”.

“Mas quer também que a Europa continue a defender os princípios que fazem parte da sua fundação. Não uma Europa de ministros e chanceleres que querem um emprego nas empresas estatais de (Presidente russo Vladimir) Putin”, adiantou, referindo-se ainda ao que o pai lhe pediu para incluir no discurso.

Ao iniciar a sessão, o Presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, reiterou o pedido, em nome da instituição que representa, de “liberdade imediata e incondicional” de Alexei Navalny, mas também de todos os outros presos políticos.

Sassoli recordou os nomes dos muitos laureados com Prémio Sakharov que se encontram detidos, referindo que entre os pelo menos 100 presos políticos na Bielorrussia há quatro anteriores vencedores do prémio.

“O combate da corrupção é um combate em prol dos direitos humanos universais, do Estado de Direito, do bom governo” e por isso “é reconhecida aqui por nós a luta e a coragem de Aleixei Navalny que, para defender esses princípios, foi privado da sua liberdade”, disse ainda Sassoli.

No início da cerimónia, no plenário do Parlamento Europeu, foi apresentado um vídeo com curtas declarações feitas no âmbito das ações e lutas de Navalny pelos laureados anteriores, seguido de um outro vídeo dedicado ao premiado deste ano.

A filha de Navalny está em Estrasburgo acompanhada por Leonid Volkov, um dos seus principais conselheiros políticos e chefe de gabinete do crítico do Kremlin na campanha para as presidenciais de 2018.

O prémio com o nome do físico e dissidente da ex-URSS Andrei Sakharov, que foi prémio Nobel da Paz em 1975, foi atribuído pela primeira vez em 1988 a Nelson Mandela e Anatoli Marchenko.

Navalny foi laureado depois de, em 2020, o prémio ter sido atribuído à “oposição democrática” ao Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, e ter sido recebido pela figura líder desse movimento, Svetlana Tikhanovskaya.

Em 2019, o prémio tinha sido atribuído ao economista e defensor da minoria uigur Ilham Tohti, condenado à prisão perpétua na China por “separatismo”, e ao longo dos anos distinguiu organizações, instituições e personalidades de diversos países e âmbitos de atuação.

Xanana Gusmão foi distinguido pela luta em Timor-Leste pela liberdade e pela autodeterminação, em 1999, em 2005 foi a vez dos Repórteres Sem Fronteiras e Kofi Annan, secretário-geral das Nações Unidas e o pessoal da ONU receberam em 2003 o Prémio Sakharov, que prestou especial homenagem à memória de Sérgio Vieira de Mello, Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, enviado especial de Kofi Annan ao Iraque e uma das vítimas mortais do atentado de 2003 ao quartel-general da organização em Bagdade.

Em 2013, Malala Yousafzai, que com apenas 11 anos iniciou a sua luta pelo direito das jovens à educação e contra o extremismo talibã no Paquistão, tornou-se a mais jovem laureada do Prémio Sakharov, dedicando-o aos “heróis desconhecidos do Paquistão”, numa apologia do direito de todas as crianças à educação.

Lançado em 1988, o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento premeia todos os anos pessoas ou organizações que defendem os direitos humanos e as liberdades fundamentais. Os vencedores recebem uma recompensa de 50 mil euros.

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