No requerimento, a que a agência Lusa teve hoje acesso e interposto pelo seu advogado, Lopes Guerreiro, o arguido pede à Direção Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais que lhe conceda uma “saída administrativa especial” da cadeia de Vale de Judeus, onde cumpre a prisão preventiva, para pode realizar o teste do polígrafo.

Em alternativa, o arguido pede permissão para se submeter ao chamado “detetor de mentiras” no próprio estabelecimento prisional onde se encontra.

Para Pedro Bourbon, “vislumbra-se pertinente e não despiciendo” um tal exame, já que poderá, por si só ou em conjunto com outros dados já apurados, “contribuir de modo substancial para a descoberta da verdade dos factos nesse processo e noutros com esse contexto que, ora, vão brotando à luz”.

O teste seria também, segundo o arguido, um “meio crucial” para “repor, na esfera pessoal e social, a dignidade e respeito do seu bom nome e reputação, por ora molestados”.

Pedro Boubon é uma das seis pessoas que o Tribunal de São João Novo, no Porto, condenou, em 20 de dezembro de 2017, a 25 anos de prisão, a pena máxima permitida em Portugal, por sequestro e homicídio de um empresário de Braga, cujo corpo acabou dissolvido em ácido sulfúrico.

Em 17 de outubro de 2018, o Tribunal da Relação do Porto confirmou cinco das seis penas máximas – sendo a restante reduzida para 23 de cadeia –, pelo que todos os arguidos recorreram para o Supremo Tribunal de Justiça, esperando agora que aquela instância superior marque a audiência para alegações.

Em primeira instância ficou provado que os seis principais arguidos deste caso organizaram-se entre si, criando uma estrutura humana e logística com o propósito de sequestrar um empresário de Braga, de o matar e de fazer desaparecer o seu cadáver.

Com isso, pretendiam impedir a reversão de um estratagema mediante o qual o património dos pais da vítima fora passado para uma sociedade controlada por dois dos arguidos.

Na execução daquele propósito, e depois de terem monitorizado as rotinas da vítima, quatro dos arguidos dirigiram-se, em 11 de março de 2016, a Braga, em dois carros roubados no Porto, numa empresa de comércio de automóveis.

“Abordaram o empresário por volta das 20:30” daquele dia, “meteram-no no interior de um dos veículos automóveis e levaram-no para um armazém em Valongo, onde o mataram por estrangulamento, acabando por dissolver o cadáver em 500 litros de ácido sulfúrico, já noutro armazém, sito em Baguim do Monte”, no concelho de Gondomar, sustenta a acusação.