Os cadáveres foram encontrados de mãos atadas, nas costas ou no abdómen, tendo alguns os pés algemados ou a cara virada para o chão.

O local da descoberta, na zona do antigo porto grego de Faliro, foi usado como necrópole, do século VIII ao século V a.C., e não continha monumentos nem epígrafes com cerâmica ateniense elaborada, mas apenas jarras e urnas de crianças.

Tem havido escavações no local desde 2012, mas foi na primavera de 2016 que as descobertas atingiram o auge, com a abertura de um túmulo que continha 80 homens acorrentados.

A arqueóloga encarregada das escavações, Stella Chrysoulaki, defende que esta foi uma descoberta “sem paralelo” na Grécia, de acordo com a agência de notícias francesa, Frande Presse.

Os dentes indicam que os cadáveres eram jovens e bem alimentados, tendo sido alinhados em três filas. Uns estavam de costas, outros de barriga para baixo e mais de metade tinha os braços alongados.

Chrysoulaki explica que, por terem sido mortos com um golpe no crânio, os cadáveres encontrados foram quase de certeza vítimas de uma "execução política", que se estima ter acontecido entre 675 e 650 a.C., com base nos vasos encontrados no túmulo.

A bioarqueóloga Eleanna Provedorou está a conduzir a investigação forense às mortes, na Escola Americana de Estudos Clássicos, em Atenas, e salienta que este foi o período “da formação da cidade-Estado e da transição para a democracia, com forte agitação política e tensões entre tiranos, aristocratas e classes de trabalhadores".

Segundo a hipótese considerada pelos arqueólogos, baseada nos relatos de autores clássicos como os historiadores Heródoto e Tucídides, os mortos podem ter sido partidários do aristocrata Cylon, mortos pelo clã rival dos Alcmeónidas, depois de uma tentativa falhada de impor uma tirania.

O diretor do laboratório Malcom H Wiener, Panayotis Karkanas, na Escola Americana de Estudos Clássicos, diz que vão “usar todos os métodos celebrizados pelas séries de televisão sobre investigação forense”, como análises genéticas ou radiografias, para recolher todos os dados acerca da identidade dos corpos encontrados.

O projeto, que deve durar de cinco a sete anos, inclui ainda análises a todos os outros cadáveres recuperados na necrópole, que são mais de mil.

Mesmo os que morreram de causas naturais, incluindo as centenas de crianças encontradas em urnas, podem ajudar a compreender a Atenas arcaica, observou Panayotis Karkanas.

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