É uma da tarde em Fitzrovia, o pequeno bairro boémio de Londres, onde Arthur Rimbaud e Dylan Thomas viveram. As ruas estão repletas de pessoas que vão almoçar. Numa calçada, um grupo de militantes do "Britain Stronger in Europe", a campanha pela permanência na UE, distribui panfletos ao som de "blues", que toca em fundo num ambiente relaxado.

Sheila Hawkins, reformada, ofereceu-se como voluntária para impedir "o desastre" que seria o Brexit. "Eu estava tão preocupada, que pensei: 'para de te preocupar e faz alguma coisa'", explicou à AFP.

Paz e soberania

Um ds seus primeiros alvos é Awo Davis, de 45 anos, indeciso, a quem tenta convencer com argumentos económicos. Mas Awo resiste: "A UE, bom... não estou completamente convencido", explica, sustentando que o que ouve na campanha parece tendencioso.

Há muitos defensores da permanência na UE entre os que passam, como Haran, um estudante de 19 anos, que se detém para recolher um brinde da campanha. Para ele, os partidários da saída da UE dizem "asneiras". "As empresas sofreriam e entraríamos diretamente em recessão".

Mas alguns dos que passam pelo local são completamente favoráveis ao Brexit. Como Clive Poole, de 57 anos, que discute com uma voluntária: "Vai virar as costas a todos os que combateram pela Europa no último século? À paz que nos trouxe?", pergunta Jannet Taylor. "Agora vai dizer que é a UE quem protege a Europa", responde irónico Clive. "E é!", diz a mulher. "E a NATO, está a sonhar? Vou votar pela saída para que possamos voltar a ter leis feitas por deputados que possamos tirar dos cargos. Não gosta de David Cameron? Podemos tirá-lo. Não gosta de Jean-Claude Juncker? Não podemos fazer nada", conclui Poole.

Pela saída

Já os defensores do "Vote leave", a saída da UE, escolheram o bairro de Croydon, nos subúrbios de Londres, para fazer campanha e defender o seu ponto de vista.

Com uma montanha de panfletos, James Bradley, de 38 anos, bate à porta de uma casa modesta. Segundos depois, Desiree Peacock, de 60 anos, abre a porta enquanto segura uma lata de comida para cão. "Vou votar a favor da saída", esclarece rapidamente a mulher, que encara o referendo como a hipótese de recuperar a "identidade perdida".

Umas casas mais à frente, Marcin Kurdzialek, um polaco de 34 anos, observa com curiosidade os militantes. Como não é britânico não votará, o que não significa que não tenha uma opinião. "Se o Reino Unido não tivesse entrado na UE, eu não estaria aqui", afirma este pequeno empresário. "Lamentaria muito se outras pessoas não tivessem as mesmas oportunidades que eu", completa.

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