"Os governos passaram três anos a mastigar este problema. Penso que está na hora de honrar as conquistas dos nossos antecessores, que solucionaram problemas muito piores, resolvendo este problema nós próprios. Não diria que podemos fazer tudo hoje. Mas acredito que um acordo pode ser feito até 18 de outubro", afirmou.

O sucessor de Theresa May tem referido a convicção de que será capaz de chegar a um entendimento com os restantes 27 Estados membros durante o Conselho Europeu de 17 e 18 de outubro em Bruxelas.

Johnson defendeu que, se "for removida a política, no centro de cada problema encontram-se problemas práticos que podem ser resolvidos com energia suficiente e um espírito de compromisso".

O chefe do governo britânico sugeriu soluções para facilitar a circulação de bens na fronteira terrestre entre a província britânica da Irlanda do Norte e a vizinha República da Irlanda, que continua a fazer parte da União Europeia (UE) e do mercado único europeu.

Entre as suas propostas estão programas "trusted trader" – listas de empresas com autorização prévia - ou controlos aduaneiros eletrónicos realizados antes da passagem na fronteira.

Outra ideia, adiantou, é a da criação de uma "unidade na ilha da Irlanda" para fins sanitários e fitossanitários, ou seja, para [produtos] agroalimentares.

"Não subestimo as dificuldades que enfrentamos, os problemas técnicos e as sensibilidades políticas", vincou, aludindo ao desejo de ver substituída a "solução de último recurso", designada por ‘backstop', para evitar uma fronteira física na Irlanda do Norte.

Já Leo Varadkar insistiu que o mecanismo de salvaguarda é essencial para um acordo de saída do Reino Unido da UE e que "remover o ‘backstop' resulta num ‘Brexit’ sem acordo".

O primeiro-ministro irlandês avisou ainda que a questão do ‘Brexit’ "não vai acabar" se o Reino Unido sair da União Europeia em 31 de outubro ou a 31 de janeiro, acrescentando: "Não existe uma saída limpa. Em vez disso, passaremos para uma nova fase".

Varadkar fazia referência ao projeto de lei aprovado no governo em em vias de ser promulgado e que obriga o governo britânico a pedir um novo adiamento da saída por três meses se até 19 de outubro não conseguir do parlamento uma aprovação de um acordo de saída ou a autorização para um ‘Brexit’ sem acordo.

Varadkar garantiu que, mesmo após um ‘Brexit’ sem acordo, a UE estaria interessada em "voltar rapidamente à mesa de negociações", mas que os primeiros pontos da agenda serão os direitos dos cidadãos, a compensação financeira e a fronteira irlandesa.

"Mas se houver um acordo, e eu acho que é possível, entrar em negociações sobre futuros acordos de relacionamento entre a UE e o Reino Unido será muito difícil. Teremos de lidar com questões como tarifas, direitos de pesca, normas de produtos, apoios governamentais e, depois, ele terá de ser ratificado por 31 parlamentos", vincou.

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