Em comunicado, a Associação Europeia de Construtores Automóveis (ACEA, em inglês) sublinhou a importância do modelo de ‘just in time’ (na hora exata) e ‘just-in-sequence’ (em sequência) quer na entrega, quer na produção e “sem atrasos ou obstáculos”.

Os milhões de peças necessárias diariamente no setor estão constantemente em trânsito e a chegar como e quando são necessárias, notou a ACEA, lembrando o movimento de 1.100 camiões da UE que atravessam o canal da Mancha só para fornecer as fábricas britânicas.

“Depois do ‘Brexit’ [saída do Reino Unido da UE, na sequência de um referendo], até curtos atrasos nas alfândegas vão provocar problemas logísticos massivos, disrupções nos processos de produção e originar custos significativos”, lê-se no comunicado.

“Os nossos membros já estão a elaborar planos de contingência e a procurar espaços de armazenamento para ter peças em ‘stock’”, segundo Erik Jonnaert, secretário-geral da ACEA, sublinhando, porém, que um espaço que seja necessário usar além de um breve período teria que ser “absolutamente enorme e dispendioso”.

Alguns dos membros projetam ainda uma quebra temporária na produção, acrescentou Jonnaert, que adiantou que nenhum plano de contingência poderá cobrir todas as lacunas da saída do Reino Unido da UE.

O responsável recordou que, ao abrigo das regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), uma tarifa de 10% será aplicada a todos os automóveis comercializados entre a UE e os britânicos, sendo a “margem de lucro da indústria significativamente inferior” a esse valor.

Assim, os “custos extra vão passar para o consumidor ou ser absorvidos pelos fabricantes”, anteviu Jonnaert, para quem “ainda não é demasiado tarde” e deverá ser concluído um acordo entre as duas partes.

Citado no mesmo comunicado, o secretário-geral da Associação Europeia de Fornecedores Automóveis, Sigrid de Vries, instou a que “tudo seja possível para garantir uma futura circulação de bens, serviços e pessoas sem atrito”.

Com os transportes necessários neste setor, “qualquer mudança ao nível da cadeia de valor vai ter um efeito adverso na competitividade individual das empresas e no setor, como um todo”.

De Vries referiu que os seus membros afirmaram a necessidade de afastar a incerteza neste processo, pelo que o mais importante é garantir “transparência sobre a relação futura com o Reino Unido o mais rápido possível, começando com um acordo que afaste um cenário de precipício”.

A ACEA inclui 15 dos maiores fabricantes localizados na Europa: BMW Group, DAF Trucks, Daimler, Fiat Chrysler Automobiles, Ford of Europe, Honda Motor Europe, Hyundai Motor Europe, Iveco, Jaguar Land Rover, PSA Group, Renault Group, Toyota Motor Europe, Volkswagen Group, Volvo Cars e Volvo Group.

A CLEPA representa mais de 3.000 empresas e investe mais de 20 mil milhões de euros anualmente em investigação e desenvolvimento.

Hoje, a primeira-ministra britânica, Theresa May, comparece no parlamento antes de viajar a Bruxelas para expor aos líderes dos 27 da União Europeia a sua posição em relação às negociações do ‘Brexit’.

Fontes diplomáticas citadas pela agência noticiosa AFP indicaram que Michel Barnier, responsável pelas negociações pela UE com o Reino Unido, vai propor que o período transitório se prolongue para que as negociações sejam desbloqueadas.

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