Segundo disse à agência Lusa a presidente do Banco Alimentar contra a Fome, Isabel Jonnet, até às 23:00 de sábado tinham sido recolhidas 684 toneladas de alimentos (sem contabilizar ainda a recolha de alimentos feita em supermercados que fecharam a essa hora).

A primeira campanha anual do Banco Alimentar contra a Fome decorre este fim de semana em mais de 2.000 lojas a nível nacional, contando com o apoio de 42 mil voluntários.

Quem não puder ou não quiser ir a uma grande superfície comercial, pode fazer uma contribuição através do site www.alimentestaideia.pt, sendo que a campanha ‘online’ decorre até 10 de junho.

Além destas alternativas, é também possível contribuir através da “Ajuda Vale”, disponível nos supermercados e hipermercados.

Na primeira campanha do ano passado foram recolhidas 2.100 toneladas de alimentos. Para Isabel Jonet, a meta para este ano não é tanto em quantidade, mas em número de pessoas que possam ser apoiadas com os produtos recolhidos.

“Estamos a apoiar 400.000 pessoas através de parceiras com 2.600 instituições e estas pessoas continuam a precisar da mesma ajuda alimentar porque se enquadram na pobreza estrutural, que não há maneira de descer em Portugal. A pobreza conjuntural melhorou com a retoma”, disse.

Por outro lado, segundo Isabel Jonet, continua a haver “muitas pessoas” que, apesar de trabalharem, não têm rendimentos suficientes para todas as despesas do seu agregado familiar, uma “situação ainda mais grave” quando nessas famílias há crianças.

De acordo com Isabel Jonet, o número de pessoas que precisa de ajuda alimentar “não tem variado muito”, a sua composição é que sim.

A responsável explicou que, durante o período de crise financeira, “havia mais pessoas em idade ativa que procuravam o apoio” das instituições de solidariedade e que foi nessa altura que a pobreza conjuntural mais aumentou, com famílias sobre-endividadas e muitas pessoas desempregadas.

“Esta pobreza diminuiu, mas aquilo que não se conseguiu que desça é a pobreza estrutural e é aqui que é preciso perceber que há uma franja grande da população portuguesa, cerca de um quinto, que vive numa situação muito difícil e que, sem apoios externos, não consegue ter uma vida digna”, sublinhou.

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