Nasceu em Angola e passou a infância e adolescência nos Açores. Antiga ministra da cultura e atual deputada, Gabriela Canavilhas é a candidata socialista que procura destronar o PSD da Câmara de Cascais, partido que exerce o poder camarário desde 2001. Fato que não abala a confiança numa vitória.

Num concelho em que se registou uma das mais altas taxas de abstenção nas últimas autárquicas, a atual deputada e antiga ministra da Cultura (2009-211) faz uma leitura de desencanto do eleitorado, eleitorado esse que quer a mudança.

Com o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional de Lisboa, pianista, pautou a campanha com algumas notas agudas com o atual presidente, Carlos Carreiras.

Afirma que Cascais perdeu força dentro da Área Metropolitana de Lisboa. Critica a política do atual executivo virada para o litoral, apostada em combater as assimetrias e com as questões da Mobilidade, o Plano Diretor Municipal (PDM), saneamento básico e a concessão das águas a dominarem a campanha e as propostas dos candidatos, Canavilhas introduz outras prioridades: O Mar, na vertente turismo, economia e investigação e medidas direcionadas para jovens no domínio da habitação e do emprego.

Foi uma campanha com algumas “picardias” com o atual presidente e candidato, Carlos Carreiras. É uma questão de estilo ou forma de fazer política local?

As divergências e as críticas fazem parte do exercício de uma democracia saudável. Infelizmente, o candidato Carlos Carreiras tem conduzido a sua campanha de uma forma que consideramos pouco dignificante para a vida política, com inverdades, omissões e ataques pessoais. Este é seu estilo, a que tentamos sempre responder com uma alternativa de programa para Cascais que assenta numa visão de futuro para o concelho, que combata as assimetrias que o caracterizam, que coloque as pessoas em primeiro lugar e que invista no saber, no conhecimento, na cultura.

Desde 2001, com a vitória de António Capucho que sucedeu a Judas, que Cascais está no lado direito do espetro político. Em 2013 o atual presidente teve maioria. É um enorme desafio recuperar esta câmara onde o PS tem colocado a cada eleição um novo candidato?

Todas as eleições representam um desafio para qualquer candidato. Em democracia, não existem vitórias antecipadas nem maiorias eternas. Fizemos uma campanha construtiva e próxima das comunidades e a nossa perceção é a de que há muitos cascalenses que querem a mudança. O nosso desafio é mostrar às pessoas que temos todas as condições para efetivar essa mudança e transformar Cascais num concelho inteligente, moderno, cosmopolita, agregador, onde seja bom viver e trabalhar.

Se não for eleita o que considera ser uma vitória. Eleger mais um vereador? Impedir a maioria do atual executivo camarário?

Não considero outra possibilidade que não a de vencer as eleições em Cascais.

Cascais tem sido dos Concelhos com maior abstenção. É o maior inimigo nestas eleições e que leitura faz dos mais de 60% de abstenção. Consegui ao longo da campanha passar a mensagem que queria combatê-la?

Só há uma leitura possível para os 62% de abstenção em Cascais: os cidadãos estão desencantados e desiludidos, não se revêm e não acreditam nas políticas do atual executivo. Ao longo da nossa campanha, este foi um dado sempre presente, porque acreditamos na democracia participativa e porque temos um verdadeiro projeto para Cascais, construído a pensar nas pessoas e no futuro.

A Mobilidade, o Plano Diretor Municipal (PDM), saneamento básico e a concessão das águas tem dominado a campanha. Consegue elencar três prioridades do seu programa. São essas ou passam por outras questões?

Sim, estas são naturalmente prioridades do nosso programa, mas não gostaria de deixar de referir a aposta no Mar nos domínios do Turismo, da Economia, da Sustentabilidade Ambiental e da Ciência e Investigação, numa política fiscal mais justa nas freguesias do concelho onde se sentem mais as assimetrias sociais (São Domingos de Rana e Alcabideche) e em medidas direcionadas para jovens no domínio da habitação e do emprego.

Cascais é um Concelho onde se sentem assimetrias. Disse que Cascais vive fechada sobre si mesmo. Há duas Cascais ou só uma Cascais. Houve duas políticas por parte do atual presidente?

Sem dúvida que existem dois concelhos num só, que resultam de uma política virada para o litoral. Por essa razão, é que o nosso programa contempla medidas muito concretas para combater essas assimetrias como a promoção de novas cinturas económicas para o concelho com mais investimentos estruturais para as freguesias de São Domingos de Rana e Alcabideche e diferenças na política fiscal para estas freguesias.

Cascais tem a norte, Sintra, com o peso do Turismo, a sul, Oeiras, com a componente empresarial e, por conseguinte, criação de emprego... e depois há Lisboa, a capital do país, que junta hoje turismo e empreendedorismo. Que papel fica reservado a Cascais? Como se propõe atrair empresas, criar emprego e no Turismo, que é de primeira qualidade, o que se propõe fazer e que papel desempenhará?

Cascais tem perdido muita influência no quadro da Área Metropolitana de Lisboa porque é um concelho gerido de acordo com os interesses económicos de grandes grupos empresariais que encontram acolhimento no seu executivo. Mas Cascais, como 5º maior município do país e extraordinárias condições naturais, tem como se posicionar como verdadeiro centro de Investigação e Desenvolvimento (I&D) na área do Mar, apostando, simultaneamente, em áreas temáticas e em tecnologias inovadoras, atrair o empreendedorismo jovem e inovador, criar um Plano Estratégico para o Turismo de Cascais, que enquadre a maior fonte de riqueza do concelho numa estratégia de longo prazo, articulada com as áreas do urbanismo, acessibilidades e sustentabilidade ambiental.

A Praia do Guincho, Praia dos Pescadores ou campo?

Praia dos pescadores.

Marginal ou A5?

Marginal.

Carro ou comboio?

Espero que venha a ser MetroBus.

Faz habitualmente compras no Comércio local ou shopping?

Comércio local.

Cascais: Cidade ou Vila?

Vila, claro.

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