Donald Trump indicou esta terça-feira que os Estados Unidos vão manter a sua relação com o príncipe saudita, Mohammed bon Salman, declarando que não existe a certeza absoluta de que este esteja diretamente ligado ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

"Pode muito bem acontecer que o Príncipe tenha conhecimento deste evento trágico — talvez tenha, talvez não!", pode ler-se no comunicado emitido pela Casa Branca, de acordo com o New York Times.

"O crime contra Jamal khashoggi foi um terrível, um que o nosso país não pode tolerar. De facto, já tomamos medidas fortes contra aqueles que sabemos que participaram no assassinato. Depois de uma excelente investigação independente, nós sabemos muitos dos detalhes deste crime horrível. Nós já sancionamos 17 sauditas que estão envolvidos no assassinato do Sr. Khashoggi, e pelo desaparecimento do seu corpo", esclarece o presidente dos Estados Unidos.

"Representantes da Arábia Saudita dizem que Jamal Khashoggi era um 'inimigo do Estado' e um membro da Irmandade Muçulmana, mas a minha decisão não é baseada nisso — isto é um crime horrível e inaceitável. O rei Salman e o Príncipe Mohammad bin Salman negaram veemente terem qualquer conhecimento de um plano ou execução do assassinato do Sr. Khashoggi", continua.

No entanto, ressalva, "poderemos nunca vir a ter conhecimento de todos os factos envolventes no assassinato de Sr. Jamal Khashoggi". Porém, "em qualquer caso, a nossa relação é com o Reino da Arábia Saudita". E explica: "Tem sido um grande aliado na nossa luta muito importante contra o Irão. Os Estados Unidos mantêm a intenção firme de continuar a parceria com a Arábia Saudita para garantir os interesses do nosso país, Israel e todos os parceiros na região. O nosso objetivo primordial passa por eliminar completamente a ameaça de terrorismo no mundo!".

Na mesma nota informativa, Trump enumerou as razões que sustentam a aliança estratégica entre Washington e Riade: a luta contra o inimigo comum iraniano, o combate contra o “terrorismo islâmico radical”, a compra de armas norte-americanas e a estabilidade dos preços do petróleo (o reino saudita é o maior exportador de crude do mundo).

No texto, Donald Trump assegurou que os Estados Unidos não vão punir, neste momento, o príncipe herdeiro saudita ou suspender a venda de armamento à Arábia Saudita.

Sobre este último assunto, Trump frisou que o cancelamento da venda de armamento a Riade, contratos avaliados em muitos milhões de dólares, apenas beneficiaria, por exemplo, a China e a Rússia.

Segundo o Presidente dos Estados Unidos, as agências de informações norte-americanas “continuam a analisar todas as informações” relacionadas com o caso Khashoggi.

Vários ‘media’ norte-americanos, incluindo o jornal The Washington Post (onde Jamal Khashoggi era um colaborador regular), avançaram que os serviços secretos norte-americanos (CIA) tinham chegado à conclusão que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, o atual homem forte de Riade, tinha sido o mandante do assassínio do jornalista.

Jamal Khashoggi, jornalista saudita crítico do regime, foi morto em 02 de outubro no consulado saudita em Istambul, na Turquia.

A Arábia Saudita começou por assegurar que o jornalista tinha saído do consulado vivo, mas depois mudou de versão e admitiu que foi morto na representação diplomática numa luta que correu mal.

Segundo a investigação turca, Khashoggi foi morto por um esquadrão de agentes sauditas que viajaram para Istambul com esse fim.

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse por várias vezes que a ordem para matar Khashoggi "foi dada ao mais alto nível do Estado" saudita.

As autoridades sauditas detiveram 21 suspeitos de ligações à morte do jornalista e adiantaram que 11 foram já acusados.


Notícia atualizada às 19:29

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