Dezanove países ocidentais juntaram-se esta segunda-feira ao Reino Unido e expulsaram, no total mais de 100 funcionários russos colocados em embaixadas.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, anunciou hoje que 14 países da União Europeia decidiram expulsar diplomatas russos, na sequência do caso do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal.

“Na semana passada, o Conselho Europeu condenou da forma mais veemente possível o ataque de Salisbury. O Conselho Europeu concordou que é altamente provável que a Rússia seja responsável e que não há nenhuma explicação plausível alternativa [para o ataque]”, começou por recordar.

“Não se excluem medidas adicionais, incluindo mais expulsões, nos próximos dias ou semanas, no quadro de ação coordenada da União Europeia”, acrescentou, numa conferência de imprensa na cidade búlgara de Varna, onde hoje decorre uma cimeira entre os líderes da UE e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

A medida foi além dos países da UE, com Alemanha, França, Polónia e Canadá a anunciarem hoje a expulsão de quatro diplomatas russos cada um, a República Checa e a Lituânia três, a Itália, a Holanda, Espanha e a Dinamarca dois, a Estónia um e a Ucrânia 13, em resposta ao envenenamento com gás tóxico do ex-espião Serguei Skripal no Reino Unido.

Espanha fez questão de reforçar que o "atentado" em Salisbury era uma "séria ameaça à segurança coletiva e ao Direito Internacional". Desta forma, o governo espanhol diz que a sua decisão está em "consonância com o que foi acordado por todos os Estados membros da UE no último Conselho Europeu de 23 de março".

Os Estados Unidos anunciaram também a expulsão de 60 “espiões” russos e uma ordem de encerramento do consulado da Rússia em Seattle.

O presidente do Conselho Europeu não esqueceu, no entanto, as vítimas do incêndio que destruiu no domingo um centro comercial na cidade russa de Kemerovo, na Sibéria.

“Permanecemos críticos em relação ao Governo russo, mas hoje choramos os mortos juntamente com o povo russo”, concluiu Tusk.

Os Estados Unidos também anunciaram nesta segunda-feira a expulsão de 60 "espiões" russos e o fechamento do consulado da Rússia em Seattle (noroeste) como parte de um gesto coordenado com outros países ocidentais.

Numa nota oficial, a Casa Branca informa que a ação foi adotada "em conjunto com os nossos aliados da NATO", acrescentando que Washington está disposta a construir melhores relações com Moscovo, mas que isso só será possível "com uma mudança no comportamento do governo da Rússia".

Skripal, de 66 anos, e a filha, de 33, continuam hospitalizados em estado crítico, mas estável, desde que inalaram, a 04 de março, em Salisbury, no sudoeste de Inglaterra, onde residem, um gás neurotóxico chamado Novichok, de fabrico russo, segundo as autoridades britânicas.

O envenenamento de Serguei Skripal desencadeou uma grave crise nas relações já tensas entre Moscovo e o Ocidente e foi seguido da expulsão de 23 diplomatas russos de território britânico e do congelamento das relações bilaterais.

A Rússia, que clama inocência, anunciou como represália a expulsão de diplomatas britânicos do seu território e pôs fim às atividades do British Council no país.

Já esta segunda-feira, o secretário da Defesa britânico, Gavin Williamson, disse que o mundo se uniu à posição do Reino Unido no caso Skripal e que a paciência para o presidente Vladimir Putin se está a esgotar.

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johson, saudou já a “resposta extraordinária” dos aliados do Reino Unido ao caso Skripal com “a maior expulsão coletiva de agentes russos de sempre”.

“A resposta internacional extraordinária dos nossos aliados é a maior expulsão coletiva de agentes dos serviços de informações russos de sempre e vai contribuir para defender a nossa segurança comum”, escreveu Boris Johnson no Twitter.

“A Rússia não pode violar as regras internacionais impunemente”, acrescentou o chefe da diplomacia britânica.

Rússia responde de forma "recíproca"

A Rússia vai responder de forma “recíproca” às expulsões de diplomatas russos por países da UE e outros países ocidentais, como os Estados Unidos, hoje anunciadas, mas a decisão final será adotada pelo Presidente Vladimir Putin, referiu o Kremlin.

“Temos de analisar a situação. O ministério dos Negócios Estrangeiros fará a sua análise e vão ser apresentadas propostas ao Presidente sobre as medidas de resposta. A decisão definitiva será adotada pelo chefe de Estado”, disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

O mesmo responsável assinalou ainda que a Rússia vai aplicar “como sempre, o princípio da reciprocidade".

Portugal "tomou boa nota" da decisão dos parceiros europeus

O Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou esta segunda-feira que “tomou boa nota das decisões, anunciadas hoje por vários Estados-membros da União Europeia, relativas à expulsão de diplomatas da Federação Russa neles acreditados”. Todavia, não avança com a expulsão de funcionários de Moscovo em território nacional.

Recorde-se que, no passado dia 19, Santos Silva admitia que o envenenamento do ex-espião russo Sergueï Skripal se trata de “uma questão que envolve toda a União Europeia”.

No final de uma reunião dos chefes de diplomacia da UE, na qual foi feito “um exame dos acontecimentos relacionados com o ataque perpetrado com armas químicas, o primeiro que ocorre na Europa depois do fim da II Guerra Mundial, e de que foram vítimas um antigo membro dos serviços de informações russo, que vive no Reino Unido, e a respetiva filha”, Augusto Santos Silva resumiu o teor da declaração conjunta dos 28, que considerou significativa.

“Produzimos e publicámos uma declaração conjunta na qual exprimimos a nossa profunda solidariedade com o Reino Unido e na qual dizemos que levamos extremamente a sério as informações que nos são prestadas pelo Governo do Reino Unido, segundo as quais é altamente provável que haja responsabilidade russa nesse ataque”, apontou.

Para o chefe de diplomacia portuguesa, “esta manifestação de solidariedade com o Reino Unido e os termos em que ela é feita já são por si só a prova de que não se trata apenas de uma relação bilateral entre o Reino Unido e a Rússia, é uma questão que envolve toda a União Europeia”.

Bélgica convoca conselho de ministros

O Governo belga realiza na terça-feira um Conselho de Ministros "restrito" para avaliar se expulsa ou não algum diplomata russo, como fizeram hoje outros 14 Estados-membros da União Europeia (UE), noticiou hoje o diário belga 'Le Soir'.

O diário explica que a situação da Bélgica é "especial", porque os diplomatas russos estão acreditados em Bruxelas de forma bilateral com a Bélgica, mas também junto da UE e da NATO.

O primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel, pediu à Rússia no passado dia 15 de março mais "colaboração" para esclarecer o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal, e da sua filha Yulia, em Salisbury, no Reino Unido. O ataque com um gás neurotóxico contra Skripal e a filha, disse Michel, constituiu "um sério ataque contra a segurança da população".

"É fundamental cumprir o compromisso da Convenção para a Proibição das Armas Químicas", salientou o PM belga em comunicado, no qual também qualificou como "inaceitável" o ataque contra Serguei Skripal e Yulia a 04 de março.

Lista completa dos países que expulsaram diplomatas russos desde o início do 'caso Skripal':

  • Reino Unido — 23
  • Estados Unidos da América — 60
  • Canadá — 4
  • Ucrânia — 13
  • França — 4
  • Alemanha — 4
  • Polónia — 4
  • Lituânia — 3
  • República Checa — 3
  • Albânia — 2
  • Itália — 2
  • Países Baixos — 2
  • Espanha — 2
  • Dinamarca — 2
  • Suécia — 1
  • Letónia — 1
  • Estónia — 1
  • Finlândia — 1
  • Roménia — 1
  • Croácia — 1

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