Catarina Martins, que falava no encerramento do "Acampamento Online Liberdade 2020" do BE, defendeu que é bom que se perceba que "racismo não é opinião, é crime", e que, "quando se tira a humanidade a outros com o racismo, estas coisas acontecem".

Numa intervenção transmitida em direto no Facebook, a coordenadora do BE considerou que, quando "não se considera as pessoas, não se olha nos olhos", quando "se alguém acha que os outros não são iguais, então a violência acontece".

Catarina Martins interrogou "como é possível o tom de pele determinar que alguém perca assim a vida num crime tão odioso".

"E, se ficaremos a pensar nesta família, nos amigos, nesta perda, nesta enorme dor, não deixaremos também de discutir essa frase que é muitas vezes dita, e o seu significado profundo: o racismo não é uma opinião, o racismo é crime, e o crime acontece", reforçou.

Num comunicado divulgado no sábado, a família de Bruno Candé Marques declarou que o ator "foi alvejado à queima-roupa, com quatro tiros, na rua principal de Moscavide", no concelho de Loures, distrito de Lisboa, e que "o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas".

Face a esta circunstância", a família considerou que "fica evidente o caráter premeditado e racista deste crime" e exigiu que "a justiça seja feita de forma célere e rigorosa".

A família referiu que Bruno Candé Marques era ator da companhia de teatro Casa Conveniente desde 2010, tendo participado em telenovelas.

Hoje, em resposta aos jornalistas, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse que a Polícia de Segurança Pública (PSP) "deteve, de imediato, o alegado responsável" pelo crime de homicídio, acrescentando: "As autoridades judiciárias tomarão as suas decisões relativamente a um crime que vivamente repudiamos".

A PSP informou no sábado, sem identificar a vítima, que um homem morreu após ter sido baleado em várias partes do corpo, por outro homem com cerca de 80 anos, na Avenida de Moscavide, em Loures, adiantando que o suspeito tinha sido detido e a arma de fogo apreendida.

Em comunicado, a associação SOS Racismo reclamou que "justiça seja feita", defendendo que "o caráter premeditado do assassinato não deixa margem para dúvidas de que se trata de um crime com motivações de ódio racial".

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