Coronavírus, Wuhan e China são, por estes dias, três palavras que se confundem para o comum dos cidadãos e com uma forte presença da comunidade chinesa no comércio do Porto, a Lusa foi para a rua perceber se a pneumonia mexeu com o quotidiano dos portuenses.

Começando pela baixa do Porto, os primeiros contactos revelaram-se infrutíferos, esbarrando numa desconfiança sempre que os comerciantes ouviram a palavra “jornalista” acrescida da desculpa de “não falar bem português”.

Depois de cinco tentativas, no supermercado Chen, na Praça da República, e depois de acordado que falaria sem exibir o rosto, a responsável Cheng Cheng aceitou dar o seu testemunho, cheio de otimismo.

“As notícias sobre o coronavírus não têm feito a diferença para os meus clientes, que continuam a vir aqui visitar e fazer compras”, disse a gestora do espaço, que se mostrou grata pela alegada falta de interesse de quem faz compras no seu estabelecimento pelo que se está a passar no outro lado do planeta.

Testemunhando que sobre a situação na China “felizmente as pessoas não perguntam nada”, Cheng Cheng retirou do facto de os clientes continuarem a “entrar na loja e a escolher o normal” uma “grande confiança”, sustentando ser por esse facto que “não sente diferença”.

“Não sei quantos clientes atendo diariamente na loja, mas tem dias que é muita gente. Na verdade, não noto diferença no volume de negócios”, acrescentou.

Com nova investida, desta feita a restaurantes chineses na baixa, a revelar-se infrutífera também por dificuldades dos proprietários em “falar português”, uma incursão até à zona ocidental do Porto, na Rua das Condominhas, perto do antigo Bairro do Aleixo, trouxe outra perspetiva numa área afastada do turismo.

Zhu Qunwei, responsável da loja Liu Jieyin, começou a conversa com a Lusa a assinalar que a crise na China não mexeu com a realidade que conhece ”desde que o Aleixo foi abaixo”.

“Não tenho sentido alterações no meu negócio com a crise do coronavírus. Para mim, desde que o Aleixo foi abaixo que todos os dias são iguais”, relativizou a empresária da loja.

Questionada pela Lusa se os clientes fazem perguntas sobre a epidemia em Wuhan e se já houve alguém que quisesse comprar máscaras, Zhu Qunwei sorriu, confirmou uma compra, mas especificou tratar-se de uma “máscara para as obras, não para tapar o vírus”.

“Os meus clientes são os meus vizinhos, poucos são os estrangeiros que vem aqui fazer compras”, acrescentou a jovem empresária.

A China elevou hoje para 490 mortos e mais de 24.300 infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), colocada sob quarentena.

Foram 64 as mortes na China registadas nas últimas 24 horas, segundo as autoridades de Pequim.

A primeira pessoa a morrer por causa do novo coronavírus fora da China foi um cidadão chinês nas Filipinas.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países, o último novo caso identificado na Bélgica.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou na quinta-feira uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

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