Ontem à noite foi divulgado o alerta da Nigeria LNG Limited à Galp: está prevista “uma redução substancial na produção e fornecimento de gás natural liquefeito” devido às chuvas e inundações registadas na África Ocidental e Central, que pode colocar em risco o abastecimento em Portugal.

O que diz o alerta recebido pela Galp?

“A Galp informa que recebeu da Nigeria LNG Limited, o seu principal fornecedor de gás natural, um aviso de força maior com base nas vastas inundações que se verificaram na Nigéria, provocando uma redução substancial na produção e fornecimento de gás natural liquefeito e líquidos de gás natural”, lê-se numa nota enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Portugal vai ser afetado?

De acordo com a Galp, ainda "não foi disponibilizada qualquer informação que suporte a avaliação dos potenciais impactos do evento, que poderão, no entanto, resultar em perturbações adicionais de abastecimento" à petrolífera portuguesa.

Garantindo que "está a monitorizar os desenvolvimentos na Nigéria", a Galp disse à Lusa que "não é claro neste momento quando é que as operações locais serão restauradas ou se os impactos deste evento poderão resultar em ruturas adicionais de abastecimento para a Galp".

No seguimento deste anúncio, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática adiantou que "não existe neste momento qualquer confirmação de redução nas entregas de gás da Nigéria. Mesmo que tal acontecesse, não há escassez no mercado".

O que está a acontecer em África?

O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas advertiu que cinco milhões de pessoas em 19 países da África Ocidental e Central foram afetadas pelas fortes chuvadas.

As inundações mataram centenas de pessoas e afetaram a sua subsistência, dizimando mais de um milhão de hectares de terras agrícolas e deslocando dezenas de milhares de pessoas das suas casas.

Entre os países mais atingidos encontram-se a Nigéria, onde as inundações afetaram 3,48 milhões de pessoas, causaram numerosas mortes e destruíram 637.000 hectares de terras agrícolas, e o Chade, que está a sofrer as piores inundações em 30 anos, com um milhão de pessoas afetadas, centenas de casas destruídas e graves danos em terras agrícolas e meios de subsistência.

Devido ao sucedido, "a Galp lamenta o impacto humanitário causado pelas inundações, e continuará a acompanhar atentamente esta situação, informando sobre qualquer desenvolvimento material", foi ainda acrescentado no comunicado divulgado.

Tudo isto mexe com as ações da Galp? 

Sim. As ações da Galp estavam hoje a cair 6,55% para 9,45 euros, depois do comunicado da petrolífera.

Às 10:00, tinham mudado de mãos mais de dois milhões de ações da Galp, depois das mesmas terem encerrado a 10,11 euros na segunda-feira, com o valor das transações a atingir cerca de 20,5 milhões de euros.

À mesma hora, o PSI acentuava as perdas em relação à abertura e caía 0,72% para 5.386,78 pontos.

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