A um mês do Natal, Portugal atravessa a quinta fase da pandemia de covid-19, com um crescimento de infeções, mas a pressão sobre os serviços de saúde é muito menor do que no mesmo período de 2020, com os internamentos e mortes a reduzir.

Apesar disso, é preciso manter as atenções voltadas para a situação. Afinal, ninguém quer voltar a viver as quadras festivas em confinamento, sem a família perto e com restrições várias.

Nesse sentido, os especialistas apontam já algum caminho possível — mas confirmações só amanhã, quinta-feira, após as decisões do Governo apresentadas depois do Conselho de Ministros.

Perante evolução da pandemia em Portugal, os peritos avançam com a adaptação da estratégia de controlo da covid-19 assente em cinco eixos:

  • Vacinação: os especialistas defendem a necessidade de acelerar o processo de reforço da vacinação;
  • Qualidade do ar interior: é proposta a ventilação e climatização adequadas dos espaços fechados;
  • Distanciamento social: os peritos avançam com a proposta da realização de atividades no exterior ou por via remota, sempre que possível, bem como o cumprimento do distanciamento físico, com a definição do número de pessoas por metro quadrado;
  • Utilização de máscara: é referida a utilização obrigatória de máscara em ambientes fechados e em eventos públicos;
  • Testagem regular: é necessária a testagem voluntária e gratuita, incluindo das pessoas vacinadas, dos grupos vulneráveis e em situações de maior concentração de pessoas ou em situações de risco.

Olhando para a questão das vacinas — onde têm sido depositadas as esperanças para terminar com a pandemia —, o Governo anunciou esta tarde que os centros de vacinação vão estar abertos nos dias 5, 8, 12 e 19 de dezembro para vacinar a população com mais de 50 anos a quem foi administrada a vacina da Janssen contra a covid-19.

Em conferência de imprensa, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou que serão vacinadas as 1,5 milhões de pessoas que já estavam previstas até dezembro, com o reforço das respetivas vacinas, como também será alargada progressivamente a vacinação contra a covid-19 para os cidadãos que “agora fazem parte do plano, de modo que em janeiro 2,5 milhões de pessoas estejam vacinadas”.

"Mantemos a prerrogativa de vacinar primeiro os mais vulneráveis", lembrou, referindo ainda que são mais de 250 mil as pessoas nestas circunstâncias, sendo que as restantes serão progressivamente agendadas por faixa etária até janeiro.

Entretanto, a nível mundial, um tema começa a surgir: a vacinação deve ser obrigatória para acabar com a pandemia? Robb Butler, diretor executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, disse em entrevista à Sky News que este é o momento para começar a discutir tal assunto.

"Há lições na história em que a obrigatoriedade prejudicou a confiança, a inclusão social. Portanto, é muito delicado, mas acreditamos que é tempo de ter essa conversa, de uma perspetiva individual e baseada na população”, indica, concluindo que "é um debate saudável a ter".

Butler refere ainda que poderão ser registadas, até ao início de 2022, mais de meio milhão de mortes, caso não sejam adotadas medidas para travar a transmissão do coronavírus. "Estamos muito alarmados", afirmou, relembrando que "acabámos de ultrapassar, com muita tristeza, a marca de 1,5 milhões de mortes na semana passada".

"Se continuarmos no curso atual, estamos a projetar mais 500 mil mortes até à Primavera do próximo ano. E isso é muito preocupante", alertou.

Por outro lado, o diretor executivo da OMS para a Europa aponta ainda que, neste momento, apenas 48% da população do continente estará a utilizar máscaras, pelo que ao subir esta percentagem “veremos uma redução nos casos e mortes”.

"Se virmos o uso universal de máscaras a 95%, podemos projetar que poderemos salvar cerca de 160.000 vidas na Europa", indicou. Não será o que todos queremos?

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