“Ontem [quinta-feira] tivemos oportunidade de discutir a questão das alterações climáticas e as nossas metas até 2030. As alterações climáticas são um desafio muito importante para nós, enquanto UE, e temos de identificar qual será a pedra basilar para que seja possível chegarmos a acordo em dezembro”, disse Charles Michel.

Em declarações prestadas na entrada para o segundo dia da cimeira europeia que hoje termina em Bruxelas, o responsável disse estar “convicto de que é necessária mais vontade política para [a UE] ser mais ambiciosa e desempenhar um papel de liderança”.

Ainda assim, reconheceu que “também é necessário ter em conta as circunstâncias nacionais [dos países] e os vários pontos de partida”, desde logo perante o ceticismo de países como Polónia e a República Checa em aumentar os objetivos de redução de emissões poluentes.

Charles Michel afirmou, ainda, que o Conselho Europeu irá “trabalhar de perto com a Comissão Europeia e com os Estados-membros para poder haver uma decisão clara até final do ano”.

Na quinta-feira, o Conselho Europeu anunciou que retomará em dezembro o debate sobre uma nova meta climática para 2030, sublinhando que a UE precisa de aumentar a sua ambição “para atingir a neutralidade climática em 2050″.

“O Conselho Europeu retomará a questão na sua reunião de dezembro, a fim de concordar numa nova meta para 2030″, referem as conclusões da cimeira relativamente ao clima, divulgadas na quinta-feira.

No documento, é referido que, até dezembro, o Conselho “convida a Comissão Europeia a levar a cabo consultas aprofundadas com os Estados-membros para avaliar as situações específicas e fornecer mais informação sobre o impacto que [a nova meta] poderá ter ao nível dos Estados-membros”.

O Conselho Europeu reconhece, no entanto, que, para se atingir o objetivo de neutralidade climática até 2050, “a UE precisa de aumentar a sua ambição na próxima década e atualizar a atual política energética e climática”, sublinhando também que discutiu “a proposta da Comissão Europeia de reduzir pelo menos em 55% as emissões [poluentes] até 2030″.

Certos Estados-membros, como a Polónia e a República Checa, mostram-se reticentes em aumentar a meta até 2030 relativamente aos níveis de 1990 — a meta acordada pelos líderes dos 27 até agora era de diminuir as emissões em 40% até 2030 — por terem indústrias demasiado dependentes em combustíveis fósseis.

Face à reticência destes Estados-membros, as conclusões do Conselho assinalam que “a nova meta tem de ser atingida coletivamente pela UE da maneira mais eficiente possível em termos de custos”.

“Todos os Estados-membros irão participar neste esforço, tendo em conta as circunstâncias nacionais e considerações em termos de justiça e solidariedade”, indica o documento.

A Comissão Europeia alterou, em setembro, a Lei Europeia do Clima, de maneira a estabelecer uma nova meta de 55% de cortes nas emissões de CO2 relativamente aos níveis de 1990.

Já o Parlamento Europeu votou, na semana passada, um corte de 60% até 2030, aumentando as ambições da Comissão Europeia.

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