António Costa discursava perante uma sala cheia na sede nacional do PS, em Lisboa, numa sessão que homenageou os autarcas socialistas eleitos nas primeiras autárquicas pós-25 de Abril, mais concretamente a 12 de dezembro de 1976.

Estando a escutá-lo 28 dos 115 presidentes de câmaras socialistas eleitos em 1976, António Costa fez um discurso em que lembrou a missão dos primeiros autarcas, que enfrentaram as tarefas de levar luz, água e saneamento às respetivas populações, e insistiu num desafio que dirigiu a todas as forças políticas.

"A melhor forma de homenagear os autarcas que ao longo destas últimas quatro décadas contribuíram para o Poder Local democrático é dar-lhes um grande voto de confiança naquilo que são as autarquias locais. E a melhor forma de formular esse voto de confiança é, efetivamente, reforçar as competências e os meios das autarquias", declarou o líder socialista.

Para António Costa, os 40 anos das primeiras eleições locais "devem ser assinalados como sendo o ano do maior passo descentralizador da democracia portuguesa".

"O próximo ciclo dos autarcas a eleger em outubro deste ano deve ser marcado por mais meios, mais competências e mais responsabilidades para poderem servir ainda melhor as suas populações", acentuou o líder do executivo.

Numa sessão com a presença do presidente do PS, Carlos César, da secretária-geral adjunta socialista, Ana Catarina Mendes, do ministro Adjunto (com a tutela das autarquias), Eduardo Cabrita, e em que se voltou a ouvir o hino oficial nacional deste partido, António Costa destacou entre os primeiros autarcas socialistas Rute Arons (mãe do antigo secretário de Estado Alberto Arons de Carvalho), que foi presidente da Junta de Freguesia de São Mamede (Lisboa) e que em criança fugiu da Alemanha em 1936 para escapar ao regime Nazi, refugiando-se depois em Portugal.

Para ilustrar o desenvolvimento nacional após as primeiras eleições autárquicas de 1976, o primeiro-ministro referiu-se também a uma antiga casa em que passou férias no concelho de Lagoa, distrito de Faro, que não tinha abastecimento de água e que possuía um frigorífico abastecido por uma botija de gás.

Pelo meio, Costa assinalou que foi 11 anos deputado municipal, dois anos vereador da oposição em Loures e oito anos presidente da Câmara de Lisboa.

Na intervenção anterior, o presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, procurou evidenciar a tradição municipalista inerente à História de Portugal e à sua longa experiência enquanto autarca desde a década de 80.

"Acumulei vivências inesquecíveis, vida vivida. Ser autarca é a mais apaixonante tarefa que pode ser atribuída a um político", sustentou Manuel Machado, num discurso que se seguiu ao do presidente da Associação Nacional de Freguesias, Pedro Cegonho.

O presidente da Associação Nacional de Autarcas do PS e da Câmara de Vila Real, Rui Santos, vincou que, mesmo antes da projetada descentralização de competências, muitas das câmaras municipais, sobretudo no interior do país, são já verdadeiros centros de Segurança Social, de educação ou de saúde.

Mas também deixou uma mensagem de caráter político-partidário: "Nas próximas eleições, nenhuma das 308 candidaturas autárquicas socialistas poderá alegar que é prejudicada pela ação deste Governo".

"A ação deste Governo socialista está a ser uma mais-valia para as diferentes candidaturas autárquicas do PS", defendeu o presidente da Câmara de Vila Real.

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