Comparando a vacina a um "jiu-jitsu biológico", o primeiro-ministro britânico diz que foi garantido que a vacina está à altura dos padrões internacionais. "A luta não terminou", alerta Boris Johnson, alertando que "é vital não nos deixarmos levar pelo otimismo".

Johnson diz que o Reino Unido comprou quarenta milhões de doses da vacina do consórcio Pfizer/BioNtech (Estados Unidos e Alemanha), cuja distribuição começa na próxima semana. A prioridade vai para os mais velhos nas estruturas residenciais para idosos, bem como para os profissionais de saúde e segurança social.

O primeiro-ministro alertou que esta distribuição será "um imenso desafio logístico", devido aos critérios de armazenamento da vacina. "Levará alguns meses até que as pessoas mais vulneráveis estejam protegidas", afirmou Johnson. "O nosso plano depende de todos continuarmos a fazer sacrifícios pelas pessoas que amamos".

Apesar disso, Boris Johnson diz que há agora a certeza de que será possível regressar à realidade pré-pandémica ainda em 2021.

A agência de medicamentos britânica anunciou hoje que aprovou a vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid-19 após “análises rigorosas”, tornando-se a primeira autoridade sanitária ocidental a aprovar uma vacina contra a doença.

Simon Stevens, responsável pelo serviço nacional de saúde britânico (NHS), disse na mesma conferência de imprensa que a aprovação traz "grande otimismo", mas também levanta interrogações. A distribuição deverá começar pelas pessoas em risco ainda este mês, mas a maioria da população de risco só deverá ser vacinada entre janeiro e abril, alerta Stevens, lembrando também que é necessário reservar a segunda dose da vacina para quem tomar a primeira em dezembro.

Lembrando o desafio logístico, o diretor executivo do NHS diz que a vacina terá de ser distribuída pelo país de maneira "cuidadosamente controlada". Na próxima semana, cerca de meia centena de pontos em hospitais em Inglaterra vão começar a oferecer a vacina aos profissionais na linha da frente. Depois, inicia-se a sua distribuição local, com os médicos de cem pontos a convidar os pacientes que devem tomar a vacina.

Stevens diz que o otimismo "tem de ser temperado com o realismo", e que quem estiver preparado para receber a vacina será contactado pelo NHS.

A Comissão Conjunta de Vacinação e Imunização do Reino Unido estabeleceu uma ordem de prioridades com que a população de 66 milhões de habitantes deve receber a vacina, colocando no topo residentes e funcionários de lares de idosos, seguidos por idosos com mais de 80 anos e profissionais de saúde.

A lista continua depois em contagem decrescente em termos de grupos etários e pessoas vulneráveis em termos de risco ou problemas de saúde.

Antes desta conferência de imprensa, no parlamento, Boris Johnson procurou moderar as expectativas dos britânicos sobre a velocidade de distribuição da vacina contra a covid-19 aprovada hoje pela agência reguladora britânico. "Penso que, nesta fase, é muito, muito importante que as pessoas não tenham esperanças muito altas sobre a velocidade com que seremos capazes de implementar esta vacina”, avisou, durante o debate semanal.

A campanha de vacinação, disse Johnson, vai começar “a partir da próxima semana” com 800 mil doses da vacina Pfizer/BioNTech, suficientes para 400 mil pessoas (cada pessoa precisa de duas doses), e o governo britânico aguarda mais "vários milhões de doses" antes do final do ano.

Porém, o primeiro-ministro britânico deu a entender que a ordem de prioridade poderá ser afetada pela necessidade de armazenar a vacina Pfizer/BioNTech a temperaturas muito baixas, limitando o seu transporte e distribuição.

As duas doses são administradas com diferença de aproximadamente um mês.

“Este tipo específico de vacina rapidamente para os lares de idosos, porque ela precisa ser mantida a 70.º negativos, tem desafios logísticos a serem superados para que as pessoas vulneráveis tenham acesso à vacina de que precisam”, justificou.

Boris Johnson prometeu avançar com a vacinação "o mais rápido possível” mas vincou que a atual estratégia de restrições locais e testes rápidos durante os "meses difíceis de inverno”, indicando que a operação deverá prolongar-se pelo menos até à primavera de 2021.

O Reino Unido garantiu 357 milhões de doses de diferentes projetos de vacina contra a covid-19 ainda durante a fase de desenvolvimento, incluindo 40 milhões da Pfizer/BioNTech, mas a maioria ainda não foi aprovada nem entrou na fase de produção.

Segundo o Daily Telegraph, o exército, que ajudou a montar hospitais de campanha e a coordenar operações de testagem, está a transformar cerca de 10 locais em centros de vacinação, nomeadamente estádios de futebol e centos de exposições.

Centenas de outros locais mais pequenos vão também funcionar, em paralelo com centros de saúde e farmácias.

O Reino Unido registou na terça-feira mais 603 mortes e 13.430 novos casos de covid-19.

Com 59.051 mortes atribuídas ao coronavírus confirmadas oficialmente, é o país europeu com o maior número maior de óbitos na Europa, e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México.

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