O acesso à estação de metro do Bolhão, pelo edifício das Camélias, no Porto, esteve esta segunda-feira condicionado durante cerca de três horas e meia para abrigar, em isolamento, um homem que se dirigiu ao segurança da estação e disse sentir sintomas de coronavírus.

O homem, de 27 anos, indicou não ter saldo no telemóvel e queixou-se de dificuldades respiratórias, disse fonte da Metro do Porto ao SAPO24. O homem contou aos funcionários que esteve no Hospital de Santo António, também no Porto, tendo sido mandado embora há dois dias, disse a fonte da Metro.

Por precaução, o homem foi de imediato levado para o acesso do poço das Camélias, na rua de Fernandes Tomás, junto ao centro comercial "La Vie". A situação teve início cerca das 12:50, tendo estado o homem desde esse período, até cerca das 16:30, no Poço das Camélias, sendo os restantes utentes encaminhados aos restantes acessos.

O plano de contingência do metro foi ativado, tendo sido alertadas as autoridades e tentado o contacto com a linha SNS24, o que acabou por acontecer mais tarde.

A PSP recebeu o alerta às 15:00 e esteve no local para garantir a circulação das pessoas, disse fonte da polícia ao SAPO24, estando o incidente a ser gerido pela Metro do Porto e respetiva segurança.

A mesma fonte explica que o acesso do Poço das Camélias é usado por menos de 1% dos utilizadores daquela estação, não havendo, por isso, grandes transtornos no local, nem impactos na circulação do metro. Quando o homem sair, o acesso deverá permanecer encerrado, adianta também a Metro.

A Metro do Porto garantiu que o acesso usado para servir de isolamento será “limpo”, tratando-se de uma via que “já estava identificada como acesso a fechar em breve”, uma vez que “esta estação regista um fluxo diário de cerca de 20 mil utentes, mas menos de 100 usam o Poço das Camélias”.

A entrada na estação do Bolhão pode continuar a ser feita pelo acesso na rua de Santa Catarina.

Esta segunda-feira, a empresa tinha revelado à agência Lusa que está a fazer “desinfeção diária de todos os veículos, incluindo as cabines de condução e os salões dos passageiros”, bem como de “corrimões e outros pontos de contacto existentes nas estações subterrâneas”.

A Metro do Porto acrescenta que, nos próximos dias, vai “receber e imediatamente começar a utilizar equipamento de limpeza de largo espectro, mais eficaz e com garantias de uma higienização mais prolongada no tempo”.

A empresa esclarece ainda que, para além do plano de contingência interno, tem outro “com dimensão externa” e “respeitante a toda a operação diária da rede”.

“O plano de contingência da Metro do Porto é faseado, sendo aplicado nos seus diversos níveis consoante o evoluir da situação”, observa.

A empresa refere também que “mantém desde a primeira hora contactos diretos com a Direcção-Geral de Saúde (DGS) e com outros organismos do Ministério da Saúde, com o objetivo de avaliar situações e de implementar as ações decididas na prevenção e no combate ao Covid-19”.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 3.800 mortos. Cerca de 110 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 62 mil recuperaram.

Portugal regista 30 casos confirmados de infeção, segundo o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado no domingo. Todos os infetados, 18 homens e 12 mulheres, estão hospitalizados. A DGS comunicou também que 447 pessoas estão sob vigilância por contactos com infetados.

Face ao aumento de casos, o Governo ordenou a suspensão temporária de visitas em hospitais, lares e estabelecimentos prisionais na região Norte.

Foram também encerrados alguns estabelecimentos de ensino secundário e universitário no Norte, bem como duas escolas na Amadora e uma em Portimão.

Em Felgueiras e Lousada, foram encerrados ginásios, bibliotecas, piscinas e cinemas, além de todas as escolas. Os residentes naqueles dois concelhos do distrito do Porto foram aconselhados a evitar deslocações desnecessárias.

*Com Lusa

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