“O levantamento das restrições demasiado cedo aumenta o risco de um ressurgimento crescente do vírus”, avisou o executivo comunitário, em resposta escrita hoje enviada à agência Lusa.

Fonte oficial da instituição, da área da Saúde pública, acrescentou à Lusa que “é importante que qualquer flexibilização das restrições não ponha em risco os progressos alcançados nos últimos meses”, isto numa altura em que alguns Estados-membros começam a pensar levantar restrições, como França, e que se fala de como será a época natalícia.

Na passada quinta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a instituição iria apresentar aos países da União Europeia (UE) recomendações sobre o levantamento gradual das restrições adotadas para conter a covid-19, visando evitar uma eventual terceira vaga em janeiro, após o Natal.

“Todos aprendemos lições com o que ocorreu no verão, [nomeadamente] que o levantamento das medidas restritivas após uma vaga - neste caso foi depois da primeira - é bastante complexo e que aliviar essas restrições demasiado cedo pode ter bastante impacto na situação epidemiológica”, declarou a responsável.

Falando em conferência de imprensa, em Bruxelas, após um Conselho Europeu por videoconferência sobre a pandemia de covid-19, Ursula von der Leyen vincou que, “desta vez, as expectativas têm de ser melhor geridas”, razão pela qual a instituição vai “apresentar uma proposta para uma abordagem gradual e coordenada para o levantamento das medidas de contenção” na UE.

Questionada pela Lusa sobre tais diretrizes, a fonte oficial do executivo comunitário indicou que a instituição está a “estudar como pode reforçar a cooperação e coordenação entre os Estados-membros”.

“E em breve definiremos a nossa abordagem recomendada para nos mantermos tão seguros quanto possível”, adiantou a fonte.

Até lá, este porta-voz da Comissão Europeia remete para as recomendações divulgadas em abril passado, durante a primeira vaga de covid-19, que aconselhavam ao levantamento das medidas de contenção apenas perante “uma estabilização significativas da propagação da doença durante um período prolongado” e quando existem “capacidades suficientes a nível dos sistemas de saúde” e “capacidades apropriadas de monitorização”.

“A teoria ainda hoje se aplica: embora não exista uma abordagem única para um levantamento gradual, científico e eficaz das medidas de contenção, uma forma altamente coordenada de avançar é do interesse comum europeu”, adiantou a fonte oficial à Lusa.

Embora na primeira vaga de infeções praticamente todos os países da UE tivessem optado por confinamentos obrigatórios, e consequente encerramento de estabelecimentos, escolas e suspensão das viagens, nesta segunda vaga as estratégias adotadas têm vindo a diferir de país para país.

A mais comum tem sido o recolhimento obrigatório durante algumas horas do dia, ou durante tardes e noites de fins de semana, como em Portugal.

Já em confinamentos totais e obrigatórios entraram França e Irlanda e algumas cidades gregas, enquanto foram ainda implementados confinamentos parciais na Alemanha e Bélgica, por exemplo.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 1.410.829 mortos resultantes de mais de 59,7 milhões de casos de infeção em todo o mundo.

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