A posição foi anunciada em comunicado, citado pela Associated Press (AP), enquanto decorrem as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a flexibilização das regras de comércio global, para permitir que mais países produzam vacinas contra a covid-19.

"O governo acredita fortemente nas proteções de propriedade intelectual, mas, em prol de se acabar com esta pandemia, apoia a renúncia dessas proteções para as vacinas contra a covid-19", afirmou Catherine Tai, no comunicado.

No entanto, a responsável advertiu que vai demorar até se atingir o consenso global necessário para dispensar as proteções, sob as regras da OMC.

"Esta é uma crise de saúde global e as circunstâncias extraordinárias da pandemia exigem medidas extraordinárias", disse Tai.

"O objetivo do governo é fornecer o máximo de vacinas seguras e eficazes, para o maior número de pessoas, o mais rápido possível", acrescentou.

O anúncio de Tai acontece horas depois de a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, ter falado numa reunião à porta fechada com embaixadores de países em desenvolvimento e desenvolvidos que têm discutido o assunto.

O Conselho Geral da OMC, composto por embaixadores, está a analisar a questão central de uma dispensa temporária de proteções de propriedade intelectual sobre as vacinas contra a covid-19, que a África do Sul e a Índia propuseram pela primeira vez em outubro.

A ideia ganhou apoio no mundo em desenvolvimento e entre alguns legisladores progressistas do Ocidente.

A questão tornou-se mais premente com o aumento de casos na Índia, o segundo país mais populoso do mundo e um importante produtor de vacinas, incluindo uma contra a covid-19 que depende da tecnologia da Universidade de Oxford e da farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca.

Mais de 100 países manifestaram o seu apoio à proposta e um grupo de 110 membros do Congresso norte-americano - todos democratas - enviou uma carta ao Presidente Joe Biden, no mês passado, pedindo que apoiasse a renúncia.

Os oponentes à proposta insistem que a produção de vacinas contra o coronavírus é complexa e simplesmente não pode ser aumentada facilitando a propriedade intelectual.

Defendem ainda que suspender as proteções pode prejudicar a inovação futura.

"Decisão histórica"

O secretário-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, saudou a "decisão histórica" dos Estados Unidos e fala em "momento monumental na luta contra a covid-19".

"Cumprimento os Estados Unidos por esta decisão histórica", escreveu Tedros na rede social Twitter, pedindo para que acrescentando que se trata de "exemplo poderoso da liderança dos Estados Unidos para responder a desafios globais de saúde".

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