Numa nota enviada aos jornalistas, o líder democrata-cristão lembra o caso do lar de Reguengos de Monsaraz, em Évora, onde surgiu o surto de covid-19 que causou 18 mortos, e aponta que estes idosos “morreram abandonados” naquela instituição, “por falta de alguém que lhes matasse a sede ou que lhes desse um medicamento”.

Na ótica de Francisco Rodrigues dos Santos, o que aconteceu nesta instituição “é o retrato da decadência moral do Estado português, da renúncia ao dever de cuidar por parte dos responsáveis locais, do desinteresse do Governo pelos mais fracos, da imperdoável falta de fiscalização da tutela”.

“Continuam surtos ativos em 73 lares, que totalizam 545 idosos infetados. Qual é a estratégia do Governo para evitar novos crimes humanitários como o de Reguengos de Monsaraz? É pedir muito que as ministras da Saúde e da Solidariedade Social interrompam as férias para dar uma explicação ao país?”, questiona, salientando que “o CDS exige respostas com urgência”.

Apontando que “40% das mortes por covid em Portugal ocorreram em lares”, Rodrigues dos Santos salienta que “continua a faltar o básico que o CDS exigiu ao Governo há cinco meses atrás: planos de contingência para os lares, com regras claras e procedimentos de atuação definidos”.

No texto, o presidente do CDS lamenta que “não se ouviu falar em ‘brigadas de resgate dos idosos abandonados’, não há revolta nas redes sociais, não existe escândalo mediático, nem sequer uma palavra da ministra da Saúde ou da ministra da Solidariedade Social”.

“Estranho mundo este onde o Estado português parece cada vez mais preocupar-se com os animais - que merecem certamente o nosso cuidado responsável - do que com os idosos”, critica também.

O líder do CDS refere ainda que “o vírus mata, mas o desprezo por quem precisa de ajuda também, e esse Portugal não esquecerá”.

“Cuidar dos mais velhos é uma prioridade do CDS e uma obrigação de quem governa o país”, vinca Francisco Rodrigues dos Santos.

Na semana passada, foram conhecidas as conclusões de uma auditoria ao lar feita pela Ordem dos Médicos (OM) relativas ao lar Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) onde, a 18 de junho, foi detetado o primeiro caso de covid-19.

Nesse relatório, ao qual a agência Lusa teve acesso, a comissão da OM que realizou a auditoria disse que o lar da FMIVPS não cumpria as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e apontou responsabilidades à administração, à Autoridade de Saúde Pública e à Administração Regional de Saúde.

Hoje, a direção do lar garantiu ter feito “tudo o que estava ao seu alcance e dentro das suas competências” para “salvar vidas”, nesta “crise” com “contornos dramáticos”.

“A partir da eclosão do surto, todas as decisões que envolveram os utentes desta resposta social respeitaram integralmente as instruções técnicas da Autoridade de Saúde Pública e restantes autoridades de saúde e Segurança Social, neste último caso enquanto entidade tutelar”, vincou.

No total, este surto, que já foi considerado como resolvido pela Autoridade de Saúde, provocou 162 casos de infeção, a maior parte no lar (80 utentes e 26 profissionais), mas também 56 pessoas da comunidade, tendo morrido 18 doentes (16 utentes e uma funcionária do lar e um homem da comunidade).

A Procuradoria-Geral da República adiantou à Lusa, na sexta-feira, que foi instaurado um inquérito sobre o surto de covid-19 neste lar e que está a analisar o relatório da OM.

A Ordem dos Advogados revelou igualmente à Lusa que vai fazer "o enquadramento jurídico" das conclusões do inquérito dos médicos para determinar consequências.

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