Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas após ter visitado a fábrica da farmacêutica Hovione, em Loures, acompanhado pelo ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, e pelo presidente deste município, Bernardino Soares.

No final da visita, perante os jornalistas, o Presidente da República deixou um pedido sobretudo aos cidadãos que não estão a trabalhar, numa altura em que se iniciam as férias da Páscoa.

"Agora que se aproxima o período da Páscoa, os que não estão a trabalhar e não têm de trabalhar, respeitem o apelo de contenção. É um apelo coletivo. No fundo, estamos perante uma tarefa coletiva, que estamos a viver, que estamos a vencer, porque a adesão dos portugueses é massiva, mas tem de continuar", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

Confrontado pelos jornalistas sobre se não deveria ser o primeiro a dar exemplo - sobretudo pertencendo a um grupo de risco - atendendo a que estava a visitar a fábrica, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que esta "é uma exceção que foi intencional", para "mostrar aos portugueses que estão em casa que há pessoas que estão a trabalhar" e que o exemplo será dado no resto do fim de semana.

O domingo de Páscoa calha este ano a 12 de abril e, de acordo com o calendário escolar 2019/20, as férias da Páscoa decorrem entre 30 de março e 13 de abril.

O Presidente da República salientou a tese de que o combate ao surto de covid-19 requer "um esforço contínuo".

"Isso implica que nós, no dia seguinte, não podemos perder aquilo que ganhámos na véspera ou na semana anterior. Estamos a ganhar o achatamento da curva, mas não podemos perder", disse, numa alusão à evolução do número de infetados em Portugal ao longo da última semana.

​​​​​​​Questionado sobre se o Governo deverá apertar as regras do estado de emergência, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, "numa afirmação democrática de autoridade", enunciou a preocupação de acompanhamento e controlo "no sentido de que não se trata de uma determinação ocasional" do executivo.

"Quando o Governo faz esses apelos ou toma essas decisões, é com base naquilo que os epidemiologistas dizem. Quando os especialistas pedem atenção à mobilidade num período tão longo como o da Páscoa, é para que não se comprometa um esforço que está a correr bem. Os portugueses têm de compreender isso", insistiu.

Na próxima terça-feira, terá lugar uma reunião com os líderes políticos, em que vão ser convidados a participar os conselheiros de Estado, uma reunião preparatória para o eventual prolongamento do estado de emergência, adiantou.

Quanto à sua opinião sobre essa possibilidade, enquanto Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa limitou-se a responder que a decisão resultará da audição dos especialistas sobre a evolução do processo.

Com esta visita a uma fábrica do setor farmacêutico, o chefe de Estado disse que também pretendeu mostrar que "há portugueses que estão a trabalhar ao sábado e ao domingo" e, por outro lado, que a Hovione se encontra em laboração contínua na produção de medicamentos (parte para exportação) e de gel desinfetante, que está a ser "distribuído por 200 entidades, Serviço Nacional de Saúde, forças de segurança, Forças Armadas, bombeiros, instituições de solidariedade social e misericórdias de todo o país".

"A economia mais a saúde não podem parar. Aqui estão muitos trabalhadores a trabalhar por Portugal", acrescentou.

Aliás, o chefe de Estado salientou a importância de ter sempre presente que "o país não fechou portas, a economia não fechou portas, há que produzir, exportar, trabalhar, e passada esta fase crítica, o país retoma o seu ritmo normal de atividade a aprende muito, no teletrabalho, na maneira de viver em família, na forma de organização da produção, ou nos desafios que se colocam no viver em sociedade".

"Eu acho que em certos aspetos, o país, a Europa e o mundo não voltam a ser os mesmos, vão ser diferentes", sublinhou.

Portugal regista hoje 100 mortes associadas à covid-19, mais 24 do que na sexta-feira, enquanto o número de infetados subiu 902, para 5.170, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

O relatório da situação epidemiológica em Portugal, com dados atualizados até às 24:00 de sexta-feira, indica que a região Norte é a que regista o maior número de mortes (44), seguida da região Centro (28), da região de Lisboa e Vale do Tejo (27) e do Algarve (1).

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