O recém-empossado presidente norte-americano garantiu que os Estados Unidos, o país mais brutalmente atingido pela pandemia, com mais de 420 mil mortos, estarão "a caminho da imunidade coletiva" até o verão, e que a vacina poderá ser administrada em massa na primavera.

"Será um desafio logístico que excederá tudo o que já tentamos neste país", disse à imprensa, referindo-se à vacinação em massa.

Enquanto isso, os Estados Unidos juntaram-se a Israel, França e Suécia para limitar certas chegadas, respondendo a preocupações sobre as variantes mais novas e contagiosas do vírus originárias do Reino Unido, África do Sul e Brasil.

Ontem, a Nova Zelândia anunciou que detetou um caso da variante sul-africana, e os Estados Unidos relataram o primeiro caso da estirpe brasileira.

Nesse contexto, a empresa americana de biotecnologia Moderna quis enviar uma mensagem de esperança, ao assegurar que a sua vacina é eficaz contra as variantes britânica e sul-africana do coronavírus.

Os especialistas estão confiantes de que a vacina "deve proteger contra essas variantes recém-detetadas", disse a Moderna, após um teste de laboratório, acrescentando que tentarão desenvolver uma dose adicional para aumentar a proteção contra essas estirpes.

No México, o presidente Andrés Manuel López Obrador tornou-se na mais recente figura pública com teste positivo para a doença. Diz ter sintomas leves e está a trabalhar, isolado, no seu gabinete. Também no México, o magnata das comunicações Carlos Slim, o homem mais rico da América Latina, relatou estar infetado com o vírus, embora com "sintomas menores".

Quarto país mais enlutado pela doença em números absolutos, o México superou a barreira das 150 mil mortes, conforme dados oficiais divulgados na segunda-feira.

Em Washington, entrou em vigor, também na segunda-feira, a proibição de entrada à maioria dos cidadãos não americanos procedentes de Reino Unido, Brasil, Irlanda e grande parte da Europa, assim como da África do Sul, segundo fonte da Casa Branca adiantou à AFP.

Biden na semana passada apertou as regras sobre o uso de máscaras e ordenou uma quarentena para as pessoas que voam para o país, que ultrapassou 25 milhões de casos e registou 420.965 mortes.

Mais restrições

A pandemia do novo coronavírus causou pelo menos 2.140.687 mortes no mundo entre os 99.631.810 infetados desde que o SARS-CoV-2 foi identificado na China em dezembro de 2019, indica o balanço diário da agência France-Presse (AFP).

Preocupada em evitar o encerramento de fronteiras dentro da União Europeia (UE), a Comissão Europeia recomendou ontem aos Estados-membros do bloco que implementem novas restrições de deslocações nas suas áreas mais afetadas.

No domingo, a França começou a exigir um teste PCR negativo para cidadãos procedentes de países vizinhos da UE.

A Suécia disse que vai proibir a entrada da Noruega por três semanas, depois de casos da variante britânica mais infeciosa terem sido detetados em Oslo.

Enquanto isso, na Espanha, um dos países mais atingidos da Europa, com mais de 55 mil óbitos pela covid-19 e quase 2,5 milhões de infeções, o governo anunciou que o ministro da Saúde, Salvador Illa, deixará o cargo na terça-feira para fazer campanha como candidato nas eleições regionais catalãs.

Além de restringir a mobilidade, muitos governos estão a endurecer as medidas sanitárias, diante do temor de propagação das novas variantes.

Na Áustria, desde segunda-feira, é obrigatório o uso da máscara FFP2, considerada mais eficaz, nos transportes públicos, em lojas, hospitais, farmácias e outros locais públicos.

No auge do verão no sul, alguns dos balneários de praias e lagos mais populares do Chile serão colocados em quarentena esta semana, após uma nova medida do governo para evitar o colapso de hospitais com pacientes de covid-19.

Atrasos nas vacinas e irritação

Os cientistas dizem que a única forma de superar a pandemia é a vacinação em grande escala, mas a sua aplicação está paralisada em muitos lugares. Até agora, mais de 63,5 milhões de doses de vacina foram administradas em pelo menos 68 países e territórios, de acordo com uma contagem de AFP.

A Polónia começou a vacinar as pessoas com mais de 70 anos na segunda-feira, enquanto a revolta toma a Europa com o atraso na distribuição das doses.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ligou para o presidente da AstraZeneca na segunda-feira para exigir que ele cumpra os prazos de entrega previstos.

Enquanto isso, o órgão regulador australiano do setor de saúde aprovou a vacina da Pfizer na segunda-feira, e o México fechou um acordo com a Rússia para a compra de 24 milhões de vacinas Sputnik V.

Também ontem, o laboratório americano Merck anunciou que estava a interromper os seus estudos de duas potenciais vacinas contra a covid-19, por não serem eficazes o suficiente.

Para agravar o problema, a escassez de seringas especiais pode dificultar os planos para obter uma dose extra do frasco da vacina da Pfizer/BioNtech, disse na segunda-feira o gigante de dispositivos médicos Becton Dickinson (BD).

Confinamento e confrontos

No Brasil, segundo país mais afetado do mundo, com pelo menos 217.664 mortos, o estado do Amazonas entrou em confinamento de uma semana desde ontem. A capital, Manaus, já registou mais de 3.000 óbitos este mês, o mais letal desde a explosão da pandemia.

Ontem, o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a abertura de um inquérito para apurar a responsabilidade do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no colapso do sistema de saúde de Manaus no meio do aumento do número de casos do novo coronavírus.

As diferentes medidas e restrições estão a provocar uma forte rejeição por parte da população, o que tem levado a atos violentos em alguns países. Na noite de ontem, várias cidades dos Países Baixos foram palco de distúrbios, pela segunda noite consecutiva, após a imposição, no último fim de semana, de um toque de recolher para lutar contra a pandemia.

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