“Na fase inicial da pandemia, os grupos privados esconderam-se e fecharam as portas e, mais recentemente, ficámos a saber que há unidades privadas que rejeitam as mulheres grávidas que tenham teste positivo à covid-19”, criticou a deputada do PCP Paula Santos, numa declaração política na Assembleia da República, um dia depois de se terem assinalado os 41 anos do SNS.

A deputada comunista criticou “os partidos de direita” por defenderem que os recursos públicos devem ser distribuídos entre os setores público e privado da saúde, mas também o Governo PS por, pela “ausência de medidas”, deixar “a porta escancarada para a fragilização do SNS”.

No período de réplica, a deputada do PSD Sandra Pereira defendeu a necessidade de um “movimento nacional” de recuperação de consultas, cirurgias exames de diagnóstico que “mobilize todos”: SNS, setor privado e instituições particulares de solidariedade social.

“O PCP só defende mais Estado, mais Estado, mais Estado. Não é tempo de deixar de lado os preconceitos ideológicos e mobilizar todos os recursos? Não é altura de PCP mudar a cassete face ao imperativo da saúde dos portugueses?”, questionou.

Na mesma linha, a deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa apontou que quase metade dos gastos anuais dos portugueses em saúde são feitos no setor privado.

“Era bom que o PCP percebesse as escolhas que as pessoas fazem”, apelou, defendendo que o SNS deve ter “investimento criterioso, mas também critérios rigorosos de gestão”.

Pelo PS, a deputada Hortense Martins afirmou que os portugueses “já não conseguem imaginar Portugal sem o SNS”, mas defendeu que “para a luta contra a pandemia todos estão convocados”.

O deputado único e líder do Chega, André Ventura, acusou o PCP de manter “a dicotomia de sempre entre os mauzões dos privados e os bons do setor público do outro”, salientando que, no primeiro mês da pandemia, os privados disponibilizaram 330 camas para doentes com covid.

“Se o PCP se preocupasse mesmo com as pessoas, preocupava-se em saber se as pessoas não preferiam usar os melhores serviços. Para quando o PCP vai deixar de ter este menu de prato único tão caro aos comunistas e parece que também aos socialistas?”, questionou o deputado único e presidente da Iniciativa liberal, João Cotrim Figueiredo.

Ao lado do PCP, o deputado do BE Moisés Ferreira considerou que uma das lições da pandemia é que “é com o SNS que todo o povo pode contar em todas as situações”.

“O que é preciso neste momento é mais SNS, mais profissionais no SNS, mais investimento”, defendeu, acusando os partidos à direita de querem “esvaziar o orçamento do SNS para dar os privados”.

Já o deputado José Luís Ferreira, d’ “os Verdes, considerou que “mesmo os que olharam sempre de lado para o SNS reconhecem o seu contributo decisivo, ainda que contrariados”.

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