O Governo permitiu a reabertura dos parques de campismo a partir de 18 de maio, uma decisão anunciada no dia 15 após o Conselho de Ministros, impondo a restrição a dois terços da lotação e atendendo às orientações da Direção-Geral da Saúde no âmbito do combate à propagação da covid-19.

Em declarações à Lusa, Beatriz Santos, presidente do Setor do Campismo, Caravanismo, Hotelaria de Ar Livre, Parques Temáticos e Espaços de Animação Turística da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) explicou que “rapidamente foram tomadas medidas” por parte dos empresários para serem cumpridos os requisitos e garantir todas as condições de segurança sanitária, para os clientes e para os trabalhadores.

“É evidente que retomar agora a atividade com uma restrição a dois terços da lotação pode ser fatal para muitas das empresas do setor. Mas, mantemos a esperança de que possa haver condições para que esta restrição seja, entretanto, levantada”, disse a responsável.

Desta forma, considerou, poder-se-ia “travar o risco de insolvências a curto prazo, sobretudo das microempresas”, exemplificando com os parques até 5.000 metros quadrados, com capacidade habitual inferior a 100 pessoas.

De acordo com a responsável, no caso da restrição da lotação, quanto menor é a capacidade de um empreendimento “mais difícil se torna viabilizá-lo”, já que os custos base “não se conseguem restringir na mesma proporção” e são agora agravados pelas medidas obrigatórias para contenção da propagação da covid-19.

Beatriz Santos estimou ainda que se forem prolongadas as limitações à livre circulação entre fronteiras, este ano haverá “uma perda quase total de clientes provenientes de mercados estrangeiros, que habitualmente representam uma média para o setor rondando um pouco mais de 30% (sendo os clientes nacionais quase 70%), perspetivando-se uma queda muito acentuada no negócio”.

Face ao contexto da pandemia, a queda poderá ser também potenciada no mercado interno pelo escalar do desemprego em diferentes setores de atividade.

“Com menos 80% de estrangeiros e uma redução da lotação de 33%, só mesmo um milagre português para equilibrar o setor do campismo”, referiu Beatriz Santos, acrescentando que as autoridades podem vir “finalmente a tratar convenientemente o campismo selvagem”, que representa “milhões de pernoitas fora dos empreendimentos turísticos para o efeito licenciados”.

Segundo a responsável, dois dias depois da reabertura, 40% dos parques de campismo, caravanismo e hotelaria de ar livre e 3% das áreas de serviço para autocaravanas tinham já adotado o selo "Clean&Safe" do Turismo de Portugal e um terço dos empreendimentos abriram ao público, tendo cancelado o ‘lay-off’ para uma parte significativa dos seus trabalhadores e implementado no terreno as necessárias medidas de proteção.

O selo, que é 100% digital, gratuito e válido até 30 de abril de 2021, exige a implementação de um protocolo interno que, de acordo com as recomendações da Direção-Geral da Saúde, deve assegurar o distanciamento social e a higienização necessária para evitar riscos de contágio e garantir os procedimentos seguros para o funcionamento das atividades turísticas.

No âmbito da declaração do estado de emergência em Portugal, para combater a pandemia de covid-19, o Governo tinha definido até 27 de março o prazo para os utentes saírem dos parques de campismo e de caravanismo, enquanto os residentes a título permanente nestes estabelecimentos turísticos puderam neles ficar para assegurar a resposta à necessidade habitacional.

Em Portugal, morreram 1.330 pessoas das 30.788 confirmadas como infetadas, e há 17.822 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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