“Se não achasse [que tenho condições] já teria apresentado a minha demissão e já me teria ido embora”, afirmou João Gomes Cravinho, que tutelou a Defesa entre 2018 e 2022, antes de transitar para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O governante falava numa audição na comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros e respondia ao líder parlamentar da Iniciativa Liberal (IL), Rodrigo Saraiva, que momentos antes o tinha interrogado sobre o assunto e referido algumas polémicas que o envolvem, designadamente a da derrapagem nos custos das obras do Hospital Militar de Belém.

“Não há razão nenhuma para eu fazer isso na medida em que tudo aquilo que tem a ver com a minha vida privada ou com a minha atuação anterior, enquanto ministro da Defesa Nacional, eu posso explicar com total satisfação, para mim próprio, desde logo, e estou à disposição aqui na Assembleia da República para se aprofundar as matérias que quiserem”, declarou.

Momentos antes, o líder parlamentar dos liberais, Rodrigo Saraiva, vincou a necessidade de existirem “governantes com autoridade política para exercerem as suas funções, mais ainda os que nos representam a todos e representam o país externamente”.

Para a IL, “ainda não é claro” por que razão, durante um período de tempo, o relatório da Inspeção-Geral da Defesa Nacional (IGDN) sobre a requalificação do Hospital Militar de Belém foi classificado, e disse não entender a nomeação do antigo diretor-geral de Recursos da Defesa Nacional Alberto Coelho – entretanto arguido no âmbito da operação “Tempestade Perfeita” para uma empresa pública do setor da Defesa.

A operação “Tempestade Perfeita” foi desencadeada em dezembro pela Polícia Judiciária (PJ), em coordenação com o Ministério Público, e resultou em cinco detenções, entre as quais três altos quadros da Defesa e dois empresários, num total de 19 arguidos, que respeita ao período em que João Gomes Cravinho tutelou aquele ministério.

Um dos cinco detidos é o ex-diretor-geral de Recursos da Defesa Nacional Alberto Coelho, alegadamente envolvido na derrapagem nas obras de requalificação do Hospital Militar de Belém.

Em causa estão gastos de cerca de 3,2 milhões de euros na empreitada para reconverter o antigo Hospital Militar de Belém, em Lisboa, num centro de apoio à covid-19, obra que tinha como orçamento inicial 750 mil euros.

A derrapagem foi revelada por uma auditoria da Inspeção-Geral da Defesa Nacional (IGDN), que visou a atuação de Alberto Coelho.

Depois de sair da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, Alberto Coelho presidiu ao Conselho de Administração da ETI (EMPORDEF – Tecnologias de Informação, S.A) entre 08 de junho de 2021 e 31 de julho deste ano, antes de pedir a aposentação, segundo informação divulgada pela empresa à Lusa.

A operação designada “Tempestade Perfeita”, de acordo com a Polícia Judiciária, é “uma investigação criminal cujo objeto visa apurar da eventual prática, entre o mais, de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, participação económica em negócio, abuso de poder e branqueamento, ilícitos relacionados com adjudicações efetuadas, por parte de organismo da Administração Central, a diversas empresas, as quais lesaram o Estado português em muitos milhares de euros”.

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